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domingo, 1 de julho de 2012

SOMBRAS DA NOITE



Dizer que a parceria Tim Burton e Johnny Depp é uma das mais famosas da história do cinema é chover no molhado. Mais ainda é afirmar que a parceria produziu grandes filmes como Ed Wood, Edward Mãos de Tesoura e A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, mas também produziu um desastre como A Fantástica Fábrica de Chocolate e o chato Alice no País das Maravilhas. De tal forma, analisar Sombras da Noite é realizar um exercido tanto de esforço como de gosto, seja qual for o ângulo sob o qual você programar sua visão sobre a obra.

Johnny Depp encarna Barnabas Collins, um homem de uma família inglesa que vem para o Maine nos EUA fazer fortuna no ramo da pesca. Ao se envolver com uma bruxa que ele depois renega, é transformado por esta em um vampiro e enterrado em um caixão por duzentos anos, despertando apenas no ano de 1972.

A ideia central em si já possui uma deixa sensacional para um grande filme, que é o choque de culturas. Um personagem do século XVIII que de repente aparece no século XX é um prato cheio para piadas, boas histórias, dramas e aventuras. Tim Burton consegue perceber este elemento e constrói as melhores e mais engraçadas cenas de sua obra exatamente em cima deste elemento (basta ver a cena em que Barnabas conversa com os hippies ou a cena em que ele pede conselhos amorosos à adolescente interpretada por Chloë Moretz), contudo, é inevitável notar que no momento em que o mesmo abandona tal temática o filme perde um pouco de seu ritmo, e se torna meio maçante.

O clima dark/gótico característico das obras de Burton está novamente presente aqui e com força total, algo que funciona bem, mas que neste filme, devido à temática, funciona até melhor que o normal. O roteiro possui algumas falhas de construção e de andamento, fazendo com que Sombras da Noite tenha grandes momentos intercalados com partes bem fastidiosas. No quesito direção, Burton novamente segue seu estilo, ou seja, atores muito bem focados e guiados, andando por situações muitas vezes vacilantes. Burton é um grande visionário e um grande linguista de cinema e não um grande diretor.

Refletindo na totalidade a alternância de seu ritmo, de seu roteiro e de sua direção, Sombras da Noite intercala uma direção de arte e uma fotografia vibrantes, um figurino excelente, porém uma maquiagem de gosto duvidoso. A trilha sonora possui poucos bons momentos, mas no geral é fraca e barulhenta.

O elenco é recheado de nomes conhecidos e inclui pequenas participações de lendas como Christopher Lee e Alice Cooper. Johnny Depp está ótimo no personagem, e, para minha satisfação, não recuperou as “macaquices” e trejeitos de seu Jack Sparrow. Eva Green, que já é por si só uma grande atriz, constrói uma personagem excelente, que domina boa parte do filme para cair em um desfecho lamentável. Bella Heathcothe também se destaca com sua misteriosa interpretação do terno amor de Barnabas; enquanto que Michelle Pfeiffer e Jackie Earle Haley também estão ótimos. Como destaque negativo, não tanto pela atuação, mas pela personagem, temos Chloë Moretz que sofre para se adaptar a uma personagem caricata, mal construída e que só está ali para funções de estereótipos familiares e para cumprir o papel de ser o lobisomem da vez em uma história de vampiro (nova necessidade deste tipo de filme, e que se mostra cada vez mais ridícula).

Sombras da Noite é um filme leve, muitas vezes despretensioso e que nos mostra um Tim Burton menos ambicioso. Se em vários momentos ele nos diverte, em outro ele nos leva a sensações menos interessantes, contudo não é um filme ruim, apesar de seu final preguiçoso e totalmente sem explosão. 


(Dark Shadows de Tim Burton, EUA - 2012)



NOTA: 6,5

segunda-feira, 9 de abril de 2012

FLORESTA NEGRA


Atualmente parece surgir no cinema e no entretenimento em geral uma onda de transformar aqueles clássicos contos de fadas que povoaram gerações e mais gerações em obras mais assustadoras e insinuantes. Só no campo dos seriados temos dois claros representantes desta temática; Grimm e Era Uma Vez, série às quais não assisti nenhum capítulo, mas que tive a oportunidade de me deparar com os resumos de seus episódios e daí retirar este meu comentário. Além disso, no próprio cinema, tivemos o desastroso A Garota da Capa Vermelha no ano passado e neste 2012 assistiremos (ou não) ao lançamento de duas novas versões da clássica história de A Branca de Neve, contudo, não acredito na possibilidade de nenhuma das duas serem superiores a esta surpreende adaptação do conto compilado pelos Irmãos Grimm.

O diretor Michael Cohn cria uma incrível roupagem para esta adaptação. Tudo é muito obscuro, muito misterioso, muito penumbroso. O suspense é forte e circunda todo o filme, caminhando ao lado do mesmo de seu início até os momentos do ótimo desfecho. As poucas deturpações na história ajudam o espectador a se identificar com o clima proposto, porém, o grande acerto do diretor é eliminar ou suplantar elementos da história original que a transformam em um conto infantil, fazendo com que a fita ganhe em “público idade”. O príncipe encantado aqui não é bem lá um poço de bondade e pureza, e os sete anões são substituídos por uma espécie de grupo de renegados e marginalizados, dos quais vários possuem seus rostos deformados ou cicatrizados.

O elenco está muito bem, desde o grupo desconhecido de coadjuvantes, passando por uma concisa atuação do normalmente burocrático Sam Neil e desembocando na ótima atuação de Sigourney Weaver como Lady Claudia, ou para associá-la ao conto original, como a Madrasta.

Floresta Negra (não vou nem comentar o título em português) é sim um filme de terror, e de terror psicológico, muito mais puxado para o suspense do que para o terror explícito, e muito mais do que sustos, o filme se apóia nas relações pouco harmoniosas e humanas entre os personagens, e no incrível elemento perturbador proporcionado pelo ótimo trabalho artístico, com destaque para a belíssima fotografia em tons azulados e uma ótima maquiagem. Contudo, como ressalva, vale comentário o pouco capricho com os efeitos especiais em algumas cenas, que, se causados pela falta de dinheiro se torna algo perdoável, todavia, se o motivo for a incompetência dos profissionais responsáveis pelos mesmos, não há razão alguma para se esquivar de tal percepção, nada que estrague o bom resultado final, mas é nítido que o trabalho nesta parte específica da obra está abaixo do restante.

Um filme muito interessante e que deveria ter recebido um reconhecimento maior, o que infelizmente não aconteceu. A fita se perdeu na passagem do VHS para o DVD e não foi lançada no Brasil neste segundo formato (pelo menos não em grande tiragem e que pudesse gerar um fácil acesso à mesma), característica que o transforma em um trabalho de difícil acesso, ainda mais para aqueles espectadores que já não suportam mais os chiados e tremidas clássicas de uma VHS. Entretanto, VHS ou não, esqueça por alguns momentos a Branca de Neve de sua infância e se coloque em um conto de mesma estrutura, porém com uma roupagem totalmente diferente. 


(Snow White: A Tale Of Terror de Michael Cohn, EUA - 1997)


NOTA: 7,5

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O GATO DE BOTAS


Criado pelo francês Charles Perrault no longínquo ano de 1697, o Gato de Botas sempre foi símbolo de lealdade e coragem. Contudo, não é este gato precisamente o assunto deste pequeno texto. Neste caso, o personagem central é aquele simpático mosqueteiro felino que apareceu pela primeira vez no segundo filme da franquia Shrek e que (seguindo a tendência da animação) ganhou um trabalho próprio. A Dreamworks não perdeu tempo e criou um ambiente bem favorável àquele que talvez seja seu mais carismático personagem.

O tom amarelado no melhor estilo Garfield está de volta, juntamente com seu figurino de tendências dumasianas com toques de Zorro e aquele sotaque de Don Juan que combina perfeitamente com um timbre de voz sedutor; não há como negar, o bichano é um charme só e possui um inigualável carisma. Tal caráter é extremamente explorado pelo filme, o que nos leva a afirmar claramente a seguinte premissa: se fosse um filme solo de um personagem diferente o resultado teria beirado o catastrófico.

O enredo da animação é pouco inspirado e se utiliza de outra fábula (João e o Pé de Feijão) para se formar. Falta inspiração para mudar um pouco o curso das coisas, o que torna o roteiro previsível demais. O vilão (que se “desvilaniza” depois) é um personagem incrivelmente chato. O ovo Humpty Dumpty (personagem também tirado de obras literárias infanto-juvenis e de mensagens folclóricas e culturais) é construído de tal forma que nos vemos diante de um dos mais intragáveis (no mau sentido) e desinteressantes personagens da animação recente.

Se o vilão e o roteiro fazem com que o filme derrape de forma muito forte, seu protagonista consegue segurar um pouco do outro lado da corda. Principalmente no início, ou seja, antes daquele ovo chato aparecer, o filme é uma boa piada atrás da outra, levando o espectador a momentos de puro riso. Quando foca no Gato o filme cresce, quando ele divide a tela com o ovo sua presença sofre uma ofuscação com a chatice de seu companheiro. Em suma, O Gato de Botas é um cabo de guerra disputado pelo carisma e a simpatia de seu protagonista contra a chatice do personagem Humpty Dumpty e a pobreza de roteiro. Para alegria, principalmente das crianças, o Gato vence mais uma, e conta com isso com uma sensacional trilha sonora e com coadjuvantes menores até interessantes como a gata Kitty Pata-Mansa e como um gato que só aparece de olhos arregalados e assustado com o que vê, soltando sempre um sonoro “oooohhhhh”.

Uma animação com grandes defeitos, mas que os supera calcados na força de seu protagonista. É óbvio que o filme poderia ter sido bem melhor, ainda mais por ter como protagonista um personagem tão carismático, todavia, O Gato de Botas cumpre o seu papel, tornando-se um bom entretenimento e um ótimo programa para crianças e para adultos que desejam relaxar e dar boas risadas.


(Puss In Boots de Chris Miller, EUA - 2011)


NOTA: 6,5

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

MEIA-NOITE EM PARIS


Tudo parecia caminhar rumo a uma fase assombrosa para o outrora gigante Woody Allen. O diretor acumulava fracassos e filmes de baixa qualidade, sendo estes admirados apenas por aqueles tocados por alguma nuance do mesmo, ou pela insistência em um ídolo do passado. Todavia, um dos grandes divertimentos do cinema é a capacidade que ele proporciona a diretores, atores e envolvidos na construção geral dos filmes de retornar ao auge, ou pelo menos de proporcionar aquela clássica “volta por cima”. Meia-Noite em Paris é a volta por cima de Allen.

A fita é leve, deslizante e muito redondinha, o que beira um elemento sublime em seus pontos mais apoteóticos. O roteiro de Allen é muito inspirado e se transforma no ponto alto do filme com uma originalidade e astúcia dignas das grandes obras do já consagrado diretor. Owen Wilson faz uma espécie de roteirista comercial que almeja se tornar um “escritor de verdade” e está em Paris de passagem com sua noiva interpretada por Rachel McAdams. Todo dia, ao soar da meia-noite, o personagem de Wilson se transporta para a Paris dos anos 20, onde encontrará célebres personalidades da época, além de um novo amor. Se a ideia em si já é original e interessante, imagine a mesma desenvolvida de forma concisa e cheia de mecanismos de admiração.

Allen se utiliza deste roteiro para realizar um questionamento sobre o descontentamento humano com o seu presente e a conseqüente admiração de um passado não-vivido. A proposta de Allen se mostra simples: a vida é insuficiente, e como o futuro é incerto, buscamos aquilo que nos falta, em um passado que admiramos. Tal elemento, segundo Allen, não é especificidade do homem do século XXI, mas de todos os homens, basta ver, que no filme, conhecemos homens dos anos 2000 que preferem os anos 20, pessoas dos anos 20 que preferem o final do século XIX e outros do final do século XIX que preferem a época da Renascença, em outras palavras, o problema do homem é a insuficiência de seu presente.

Concordando ou não com esta tese, é difícil não se maravilhar com um diálogo entre Hemingway e Fitzgerald, com a dica do personagem de Owen Wilson para o jovem Luís Buñuel na criação de um filme, com um eufórico Dalí ou com uma mesa de bar no final do século XIX onde se encontram juntos nada mais nada menos que Toulouse-Lautrec, Paul Gauguin e Edgar Degas. Allen brinca com o tempo de uma forma impressionante até mesmo para seus não-fãs e consegue levar o espectador a todas as épocas de uma forma muito interessante, além de apresentar seus respectivos personagens de forma resumida (afinal estamos falando de um filme e não de um livro de história de Paris), porém muito cativante.

Entre seus defeitos, Meia-Noite em Paris peca um pouco na superficialidade das relações entre os personagens, possui uma trilha-sonora um pouco enjoativa e se esquece de alguns personagens ao longo de sua duração, sendo que estes poderiam acrescentar bastante à trama, casos do próprio Dalí de Adrien Brody ou do “pedante” Paul do sempre ótimo Michael Sheen. Owen Wilson empresta aqui uma grande atuação, muito acima do seu próprio talento nato e Kathy Bates enche a tela de graciosidade com sua ótima Gertrude Stein, para destacar apenas dois do elenco, que no geral está muito bem.

Os fãs de Allen estão vibrando com este filme, e não por acaso, já que este é o melhor trabalho do diretor em muitos anos, o que nos faz pensar na seguinte questão: Seria Woody Allen um ex-diretor em atividade que ainda possui lampejos esparsos de talento ou seria Woody Allen um gigante que passou por uma longa má fase? Bom, esta é uma pergunta que apenas os próximos filmes do diretor responderão, nos restando apenas esperar.


(Midnight in Paris de Woody Allen, EUA/Espanha - 2011)




NOTA: 8,5

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A ESPADA ERA A LEI


Uma das mais sutis, belas, simples e singelas obras dos estúdios Disney, A Espada Era a Lei sobrevive hoje como um clássico que alegra muito mais fãs saudosistas do que públicos saudosistas, algo que, aliás, acontece com a maioria das animações mais antigas, quando não existiam animações computadorizadas, e as histórias destas antiguidades se baseavam em números musicais e lições de aprendizagem, que em primeiro momento tinham o intuito de atingir as crianças, mas que levavam os adultos correnteza abaixo também.

A Espada Era a Lei tem sua base nas lendas arthurianas, e conta a história do pequeno Arthur, este sendo ainda treinado por um Merlin que sabia que o mesmo estava predestinado a algo grande, porém sem saber o que, antes de retirar a lendária Excalibur da pedra onde esta dormia e se tornar Rei da Inglaterra e líder dos Cavaleiros da Távola Redonda. A animação não adentra na vida de Arthur depois de tornar rei, se tornando então um prólogo sobre a preparação do mesmo e da Inglaterra antes de acolher seu lendário monarca. De tal modo, e por se manter apenas na infância do personagem, o filme não se utiliza da lenda para se firmar, se utilizando apenas de seu próprio roteiro e de sua querela mais “independente” para se sustentar, algo muito bom para a intenção da fita.

O filme é muito leve e muito divertido, nos remetendo ao que a Disney sempre teve de melhor, ou seja, aquele humor simples, vindo de personagens e piadas espontâneas e que levavam os espectadores ao delírio. O maior exemplo disso é a alegria e a magia do estabanado e simpático Merlin. Como se o velho mago lendário não fosse ele, por si só, extremamente engraçado, ele ainda conta com as trapalhadas de seu assistente Arquimedes, uma coruja muito astuta e ao mesmo tempo muito engraçada. Os dois com certeza seguram, em grande parte sozinhos, a bronca do longa inteiro. Os números são poucos, porém bem encaixados e bem feitos, ajudando o filme em seu andamento.

A clássica lição de moral dos filmes mais antigos da Disney está bem presente aqui, e de muitas formas, mas a que mais se repete, se torna um problema para a assimilação atual da fita, já que a tal lição simplesmente envelheceu. Eu sei que alguns discordarão de mim quanto a isto, afinal as frases dos mesmos para os perfis do Facebook, Orkut e MSN dizem o contrário e aceitam ideias parecidas com a deste filme, mas qualquer pessoa que aprofunde um pouco mais a análise sabe que isto se trata de uma das várias hipocrisias da era digital. Qualquer pessoa mais atenta e mais analítica em relação ao mundo e à juventude atual, conseguirá entender o problema que um filme que frisa “a supremacia do estudo e da inteligência sobre a força física e ao apelo passional” enfrentará. Tal premissa, inúmeras vezes repetida por Merlin no intuito de ensinar o pequeno Arthur só colabora para o caráter “envelhecido” da fita. Isso não é um defeito do filme, mas é o preço que ele paga por ainda sobreviver a uma sociedade com um defeito.

A animação tem poucos problemas; sendo um deles seu formato argumentativo que poderia ter uma dinamicidade maior, levando-se em conta principalmente o fato de se tratar de um filme basicamente infantil. Outro problema que a fita possui este já um pouco mais sério é a falta de carisma de seu protagonista, já que o pequeno Arthur é muito simples e sem muita audácia ou personalidade, sendo facilmente engolido por qualquer outro personagem da trama, mesmo quando estes são nitidamente coadjuvantes como seu padrasto Sir Ector, seu irmão de criação Kay ou a malvada e clássica madame Min. Tais problemas prejudicam um pouco a fita, porém não tiram o brilho de uma bela animação e nem a rebaixam de seu status de clássico em seu gênero.

Um ótimo trabalho, que sobrevive até hoje com o rótulo de ter sido o último filme dos estúdios Disney a ser produzido enquanto seu fundador, Walt Disney, ainda estava vivo. Curiosidades e situações à parte, A Espada Era a Lei vale cada minuto do tempo dedicado a apreciá-lo, admirá-lo e entendê-lo; afinal de contas, nenhum filme sobrevive (e sobrevive bem) quase cinqüenta anos (o filme completará cinqüenta anos em 2013) à toa. Busque suas qualidades, viva seus conselhos e aprecie seu humor e assim, você estará embrulhado em um grande filme, muito mais que isso, você se tornará cúmplice de uma grande obra.


(The Sword In The Stone de Wolfgang Reitherman, EUA - 1963)




NOTA: 8,5

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O FANTASMA DA ÓPERA


Um dos musicais de maior sucesso da história da Broadway e uma das histórias mais conhecidas e admiradas em todo o mundo, O Fantasma da Ópera, baseado no livro de Gastón Leroux, aproveitou-se do efeito Moulin Rouge na indústria dos musicais para tentar causar o mesmo impacto, ou pelo menos tentar transpor, com qualidade, um sucesso dos palcos para a telona. Dirigido por um Joel Schumacher (conhecido por assassinar Batman em dois filmes, onde um é bem fraco e o outro uma grande piada, entre outros) acima da média, mas com atuações pífias e um roteiro extremamente superficial, a versão musical na telona bate na trave e sai em tiro de meta, deixando o grito de gol para uma próxima oportunidade.

A influência de Luhrmann é visível, tanto na condução de Schumacher quanto na construção argumentativa e cenográfica, não se limitando apenas a Moulin Rouge, mas buscando elementos até de outros filmes do diretor australiano como o original Romeu + Julieta. Buscar respaldo em coisas boas, normalmente traz coisas boas, e isso se repete aqui, já que Schumacher se supera e surpreende na direção. Enquanto os atores surpreendem pela frieza nas cenas, Schumacher enche a tela com uma paixão nunca vista anteriormente em seus filmes. A câmera pulsa o tempo todo, e em alguns momentos parece até tentar gerar um efeito de desfibrilador para galvanizar a falta de vontade de seu elenco. Se O Fantasma da Ópera possui algo de surpreendente e de vibrante, com certeza é a direção de Schumacher, como exemplo, é só tomarmos a melhor cena do filme, um baile de máscaras sensacional com bailarinos e ótimos cantores interpretando a clássica Masquerade do musical original.

Além disso, Schumacher possui o respaldo de um bom figurino, uma trilha sonora excelente (o que é essencial para um musical) e uma fotografia estupenda, lamenta-se apenas o fato de o restante do filme ser exatamente o oposto do esforço do diretor. A cenografia, por exemplo, é extremamente exagerada e em alguns momentos destoa totalmente do ideal central da fita.

O elenco principal, escolhido a dedo pela capacidade de cantar, se mostra uma escolha ruim na parte interpretativa, fazendo com que tenhamos bons cantores que não conseguem unir esta qualidade com uma boa interpretação. Patrick Wilson (que já é ruim por natureza) atua de forma robótica e não consegue causar nenhuma emoção e nenhuma simpatia no espectador. Emmy Rossum brilha na tela devido ao já citado ótimo trabalho de fotografia e a uma boa utilização de luzes e sombras por parte de Schumacher, mas apesar disso, e apesar de cantar muito bem, está totalmente apática e sem vida no papel. As cenas entre Raoul (Wilson) e Christine (Rossum) são incrivelmente inertes e desprovidas de qualquer emoção. No papel do Fantasma, Gerard Butler (que ficaria famoso posteriormente por sua interpretação do rei espartano Leônidas em 300) é o “menos pior” do elenco de protagonistas, porém, isso se deve muito mais aos seus atributos físicos que ajudam na criação do personagem do que pela sua capacidade de atuar; mesmo assim, as cenas entre Christine e o Fantasma são mais interessantes e fortes do filme.

O roteiro, outro ponto baixo do filme, patina muito, e não consegue desenvolver nenhuma relação entre os personagens, transformando o esforço de Schumacher, em sua maioria, num emaranhado de relações mal explicadas, mal construídas e mal desenvolvidas. Com diálogos fracos, e passagens complicadas para um filme cantado em pelo menos 90% de seu andamento, o roteiro peca por apostar no elemento auto-explicativo das canções, pois por mais que as mesmas exerçam bem seus papéis, as amarras entre elas, é função da construção argumentativa, e isto simplesmente não acontece, ou seja, sem amarras, tudo parece um monte de capítulos sem conexões e sem funcionalidades fazendo com que o império da superficialidade se assente ali e praticamente não exista uma linha condutora de andamento.

Muito se esperava desta adaptação, que se mostra interessante em alguns aspectos, porém muito pecadora em outros. No final das contas, uma história como esta, com a fama que tem e com o charme que tem, merecia algo um pouco mais satisfatório no campo dos musicais (afinal, existem outras várias adaptações de O Fantasma da Ópera, das quais algumas se mostram muito interessantes). Não é um filme ruim, mas poderia ser bem melhor, ainda mais se levando em consideração o potencial artístico e público que a história possui intrinsecamente.

 
(The Phantom Of The Opera de Joel Schumacher, EUA/Inglaterra- 2004)
 
 
NOTA: 6,0

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A ÁRVORE DA VIDA


Malick não produzia um filme desde o criticado e ao mesmo tempo amado O Novo Mundo em 2005. A mística em torno do recluso e misterioso diretor colabora e muito para que seus filmes sejam sempre badalados, ou pelo menos aguardados com expectativas, tanto por público (mesmo que um pouco restrito ao mais alternativo) quanto por crítica.

Confesso que eu nunca acompanhei de perto a carreira de Malick, constando em meu currículo apenas Além da Linha Vermelha e uma olhada bem grosseira por seu último trabalho já acima citado, mas devo admitir que após A Árvore da Vida, meu interesse por seu trabalho aumentou e muito, pois tive a oportunidade de acompanhar neste sábado último, o que para mim, é um dos grandes momentos do cinema neste ano.

O filme em seus primeiros cinquenta minutos, um pouco mais, um pouco menos, me deixou em puro êxtase. A sequência de imagens e planos que caracterizam a visão de Malick da criação do mundo, e a impostação de cenas e movimentos que perpassam ideias como o divino; o natural; a relação entre os mesmos; o humano; o animalesco; entre outros e que me pareceram representar a criação da própria vida em suas mais variadas instâncias me deixou simplesmente hipnotizado. Em alguns momentos me lembrei da obra Fonte da Vida de Darren Aronofsky (que, aliás, é um filme pelo qual eu possuo um gosto afeiçoado), mas principalmente, Malick parece unir a perspicácia de Tarkovsky em relação ao subliminar e ao subjetivo com a paranóia e a genialidade que Kubrick possui com imagens que em primeiro momento soam desconexas, mas que representam a poesia de seu próprio autor, ou você espectador, vai negar a semelhança entre este filme e algumas partes específicas do grandioso 2001 – Uma Odisséia no Espaço? Em resumo, A Árvore da Vida possui uma influência clara destes dois gênios do cinema, e uma influência muito boa e correta.

A beleza das imagens e do filme em si é praticamente indescritível. A fotografia é estupenda e possui tons alvos que combinam demais com a sensação de pureza e de magia que Malick parece querer colocar à disposição da vida. É interessante perceber a utilização que o diretor faz do sol, sendo que este sempre aparece, mas aparece alongado, sempre iluminando ao fundo, para não prejudicar essa sensação de brancura. Os movimentos de câmera são intensos, sendo que Malick filma de todos os ângulos, usa câmera na mão quando lhe convém e coloca uma câmera lenta em várias cenas que contribuem demais com o clima da película. O filme passa uma sensação de paz, e sua trilha sonora que só não é mais estupenda que suas imagens que tocam o fundo da alma de qualquer espectador. Cinema em seu auge pleno.

Como se não bastasse toda a beleza do filme, A Árvore da Vida ainda é roteiristicamente profundo e sublime. Cheio de metáforas, ecos e simbolismos (incluindo a boa e velha relação da árvore com a vida e seu desenvolvimento), Malick realiza um retrato subjetivo e muito particular de suas concepções sobre a vida, o ser humano e o lugar de tais na construção deste mundo. Não é correto se perguntar o que o filme quer dizer, mas sim o que o seu diretor que dizer, já que a fita é nitidamente uma obra de arte pessoal, e que refletem sentimentos muito particulares e íntimos. A Árvore da Vida é minimalista, detalhista e se parece com um tipo de obra bem peculiar, onde por mais que existam diversas interpretações externas, existe um “algo” oculto, inacessível a quem vê de fora, e que toca somente a seu realizador. Existe algo de Malick no filme que compete somente ao mesmo, e que não possui nenhuma objetividade inerente, ou seja, não é um problema do espectador, é uma característica interna, potencial e que, em muitos casos, passa despercebida até mesmo de seu próprio criador.

Destaco também a ótima interpretação de Brad Pitt em um personagem emblemático e muito complexo, além do ótimo elenco mirim. Destaque também para a linda, precisa e enigmática cena final, que juntamente com a sequência que representa a criação e a vida em si, sequência esta que, como já dito, simplesmente me hipnotizou, se mostram como o ápice de um filme que só não é perfeito pelo seu ritmo um pouco irregular e uma atuação um pouco exagerada de Jessica Chastain no papel da esposa de Brad Pitt e mãe de seus três filhos.

Sussurrante em quase toda a sua extensão, e gerador de um reducionismo ao qual eu não me atrevo, caso haja intenção de descrevê-lo em sinopse, A Árvore da Vida, é um filme que merece e muito ser visto, e não apenas pelo público normalmente mais alternativo do diretor, mas por todos. Uma belíssima experiência que se torna cada vez mais emblemática e cativante com o passar dos minutos em que se tenta entendê-la melhor. Um exercício cinematográfico de contemplação e de inteligência, fato que talvez explique a desistência de algumas pessoas no meio da sessão. A Árvore da Vida possui no oculto e no simbólico seu ápice, deixando pouca coisa em seu exterior, fato que contribui e muito para seu resultado final. Palma de Ouro em Cannes merecida.



(Tree Of Life de Terrence Malick, EUA - 2011)


NOTA: 9,5

segunda-feira, 18 de julho de 2011

HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE PT. II


Sem dúvida alguma, ontem, em uma tarde calorosa de domingo, estava eu à frente do filme mais esperado do ano. Por fãs pelo simples fato de serem fãs, pelos não-fãs, por terem mais uma oportunidade de criticarem a série, e pelos curiosos (como eu), que simplesmente tinham vontade de ver o final desta história que se tornou fenômeno no mundo todo.

Concordando ou não, o fato é que a saga Harry Potter é um dos maiores fenômenos da história do cinema, mesmo quando verificamos muito mais o âmbito do apelo popular do que propriamente da inovação ou da contribuição técnica para o desenvolvimento da sétima arte. Contudo, faltava a cereja no topo do bolo. Ao que tudo indicava, e eu acreditava nisso, a saga do bruxinho deixaria o palco cinematográfico sem sequer ter produzido um grande filme, desconfiança que aumentou após a problemática primeira parte de As Relíquias da Morte. Entretanto para a alegria de todos, incluindo a minha, e para desespero dos críticos mais “cegos” da saga, eles conseguiram: se faltava um grande filme para colocar de vez a odisséia de Harry Potter entre as grandes sagas da história do cinema, aos 45 do segundo tempo o gol saiu. Harry Potter e As Relíquias da Morte Pt. II é, de longe, o melhor filme entre os oito anteriormente produzidos.

Poucas vezes eu vi um filme de aventura e fantasia com um ritmo tão alucinante. Yates consegue um ritmo tão frenético e ao mesmo tempo tão sensato (algo muito difícil de fazer), que a atenção do espectador não se desvia da tela um minuto. Minha única crítica a direção e talvez ao próprio filme, é o fato de que o diretor não consegue sequenciar muito. Com isto eu quero dizer que, eu não gosto do modo como Yates em alguns momentos está acompanhando uma cena, e ao invés de continuar no mesmo plano, ele corta e às vezes fica quase que na mesma tomada, isso prejudica um pouco o andamento da coisa, todavia admito também, que tal observação é muito mais um capricho e uma preferência minha do que uma falha propriamente dita. Acho necessário voltar a frisar que quem escreve aqui é um espectador não fã, já que ao contrário de As Relíquias da Morte Pt. I, esse novo filme funciona e muito bem, para qualquer espectador, e o livro não é mais necessário para uma compreensão precisa da fita. Não há cenas desnecessárias e muito menos aquela sensação de que o filme está se arrastando única e exclusivamente para gerar corpo para acoplar minutagem.

O roteiro é bem enxuto e consegue sempre se fixar naquilo que realmente importa, não há desvios ou peças deslocadas. Yates consegue amarrar todos os nós que vinham se desenvolvendo ao longo dos outros sete filmes, e faz isso com uma precisão milimétrica. Eu não li todos os livros (estou terminando o terceiro), porém vi todos os filmes e mais de uma vez, e não consigo me lembrar de nenhum aspecto que ficou mal amarrado ou que tenha sido necessária uma hipótese ad hoc (considerando-se aqui a inclusão de novas, pois a saga em si, utiliza-se de muitas), em outras palavras, a saga foi realmente finalizada e em todas as suas nuances.

O elenco merece atenção especial, tanto o trio de protagonistas e principalmente os “coadjuvantes”. O filme resgatou vários personagens e proporcionou aos respectivos atores oportunidade para se divertirem e melhorarem a qualidade de suas interpretações em relação aos últimos filmes. Julie Waters como a mão dos Weasley e Maggie Smith como a Profa. Minerva possuem cenas sensacionais, isso para ficar em apenas dois exemplos. Alan Rickman sempre foi um destaque com sua peculiar interpretação do misterioso Severo Snape, porém sua melhor atuação no personagem foi quando este último revelou seus mistérios, fazendo com que aqui encontremos sua melhor colaboração com a saga. Fenômeno parecido ocorre com Ralph Fiennes que constrói um Voldemort sensacional e com uma garra não vista nos filmes anteriores. Assim como Rickman, Fiennes também nos proporciona aqui sua melhor atuação como Voldemort.

O trio principal evoluiu muito ao longo dos anos, logicamente que isto não os transforma em grandes atores, porém é possível que algo bom surja dali (puro achismo). Radcliffe finalmente vive Harry Potter ao invés de simplesmente atuar, e consegue se relacionar muito bem tanto com o espectador como com os outros atores do elenco. Em um efeito meio Denzel Washington/Robert Downey Junior, Radcliffe se transforma aqui em um ator espaçoso e que ocupa as cenas com muita força. Vale ressalva que esta é uma característica do personagem e não do ator, e isso era sempre um problema nos filmes anteriores, pois Radcliffe não conseguia ocupar os espaços que o personagem por si só precisava ocupar, algo que “antes tarde do que nunca” acontece aqui. Ponto para o jovem ator, que assim como os dois veteranos acima citados, empresta a este último capítulo sua melhor atuação, só que neste caso, estamos diante da melhor de sua até o momento curta carreira. No final das contas, me parece que todo o elenco sentiu que tudo terminava ali, e que eles precisavam deixar uma boa impressão, fato que fez com que todos palpitassem com o filme como nunca havia acontecido antes.

A parte técnica que sempre foi impecável, não perderia a mão aqui para estragar tudo. Efeitos especiais precisos, uma fotografia com tons sombrios que se mostra muito engenhosa e condizente com o clima do filme, além da já conhecida e ótima trilha sonora e de uma edição de som de arrepiar em alguns momentos (os sussurros de Voldemort são simplesmente assombrosos); ou seja, tudo nos conformes.

Chega então ao fim uma saga que merecia um filme como este. Uma saga que viu grandes atores como parte dela, em participações pequenas (Kenneth Branagh, Jim Broadbent, Richard Harris, Gary Oldman entre outros citados ou não neste texto) ou mesmo acompanhando toda a saga (Robbie Coltrane, Jason Isaacs, Fiona Shaw e outros citados ou não neste texto), uma saga pela qual passaram quatro diretores diferentes e que passou por altos e baixos. Harry Potter e As Relíquias da Morte Pt. II se une ao quarto filme e ao sexto como os meus favoritos (o segundo também), com o lembrete de que aqui estamos falando de um filme com um algo mais, um algo mais que pode ter vindo de vários lugares, e que encontra sua importância em um resultado final que superou todas as minhas expectativas. A saga Harry Potter terminou, porém se manterá viva, sendo vista e revista ao longo de muitos anos, por fãs, não-fãs e curiosos, ou seja, por todo tipo de amante de cinema. Parabéns aos envolvidos e aos fãs também, já que nunca desistiram da saga, e a recompensa veio, mesmo que, como dito antes, aos 45 do segundo tempo, mas qualquer adepto do futebol sabe que mesmo nos acréscimos, se estiver dentro das regras o gol é legal, e ganha o jogo.


(Harry Potter and the Deathly Hallows Pt. II de David Yates, EUA - 2011)
 
 
 
NOTA: 9,0

terça-feira, 5 de julho de 2011

EM NOME DO REI


Quando comecei a assistir Em Nome do Rei já tinha em minha mente que se tratava de um filme que havia concorrido ao Framboesa de Ouro de pior filme, além de ter recebido críticas pesadíssimas dos críticos e ter gerado uma ira nos fãs ortodoxos do game no qual o filme foi baseado, que atende pelo nome de Dungeon Siege e que eu não sei nem se tem nome em português e também não tenho a menor idéia como é este jogo.

Fica claro então que eu não faço parte dos fãs cruéis que massacraram Em Nome do Rei por não representar bem o jogo, porém eu faço parte daqueles que entendem as críticas pesadas e também a indicação ao Framboesa de Ouro. É lógico que eu já vi coisa pior, inclusive outro filme do diretor Uwe Boll, no caso o terrível Alone In The Dark, agora o filme foi cercado de expectativa, e um dos grandes pontos a favor de um filme para este concorrer ao Framboesa de Ouro é a decepção que causa, muito mais até que a baixa qualidade.

Em Nome do Rei tem tantos problemas, que se eu resolvesse detalhar todos, tenho certeza que me alongaria excessivamente para um texto que fará parte de um blog, assim sendo, me aterei àquelas que considero mais fortes e mais imperdoáveis. Começo pela análise da direção do alemão Uwe Boll, que, de diretor não tem nada. É impressionante como Boll não consegue criar profundidade em nenhuma cena. Tudo é muito corrido, a câmera parece pendurada em algum lugar enquanto os atores pulam na sua frente. Ele erra nos enquadramentos e não consegue sequer criar o clima necessário para o decorrer do que se propõe. Para resumir em poucas palavras, ou melhor, em uma, lastimável, já que nem quando ele tem a chance de se utilizar dos planos abertos que encaixariam melhor as batalhas e esconderiam um pouco à falta de criatividade do diretor o resultado é diferente, o que me leva a perguntar como um cara desses consegue emprego no cinema?

O elenco, recheado de nomes conhecidos, porém poucos confiáveis demonstram o porquê de tal condição. Jason Statham até briga bem, mas querer que ele demonstre emoção é querer demais, simplesmente não dá. Leelee Sobieski parece uma pedra andando e não consegue desenvolver uma personagem que no final das contas não possui função nenhuma. Burt Reynolds não se livra em nenhum momento de sua cara de canastrão o que faz com que seu “rei justo e bondoso” pareça até uma piada. Agora, nada se compara as atuações irritantes e cruéis dos vilões do filme. Ray Liotta e Matthew Lillard nos proporcionam interpretações que beiram o amadorismo. Para não jogar tudo no lixo quanto às atuações, John Rhys-Davies, Will Sanderson e Claire Forlani até se esforçam, mas esbarram em personagens mal utilizados e mal construídos pelo roteiro, se é que se pode chamar uma história tão bobinha, tão clichê e tão sem imaginação de roteiro. Previsível, cheio de buracos e de saídas fáceis, o argumento do filme se transforma em uma união de tentativas de cenas de ação mal feitas, com dramas e aventuras medievais misturadas a elementos de fantasia, com direito a monstros e magia agregados ao mesmo.

Como se não bastasse, os efeitos especiais do filme são péssimos e a edição de som usa e abusa de tilintes e de “sons da natureza”, insistindo nestes, mesmo quando uma música se faria mais precisa. Aliás, se podemos salvar algo desta baderna cinematográfica, este algo é a trilha sonora, e com um ou outro deslize, o figurino também não faz feito, mas venhamos e convenhamos que é muito pouco, para um filme que possuía pretensões não muito modestas, ainda mais por estar incluído na turma das adaptações de um dos elementos mais fortes e de fãs mais radicais que existem, no caso, os fãs de vídeo games.

Tenho certeza que para os fãs do jogo citado em nosso primeiro parágrafo a decepção foi grande, e também tenho certeza que estes fãs torcem para Boll não resolver “adaptar” outro jogo para o cinema, eu pelo menos torceria, pois, se Alone In The Dark já era um filme de qualidade muitíssimo questionável (sendo bonzinho), Em Nome do Rei segue uma linha bem parecida, por mais que seja “menos pior” que o citado antecessor. Nem mesmo a boa Skalds and Shadows da banda alemã Blind Guardian tocando no menu e nos créditos salva isto aqui.



(In The Name Of The King: A Dungeon Siege Tale de Uwe Boll, Alemanha/Canadá/EUA - 2007) 



NOTA: 3,0

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O MÁGICO



Voltei ao cinema pela segunda vez em menos de uma semana para conferir uma animação. Não ao mesmo cinema, e logicamente não ao mesmo filme. Desta vez, optei por me dirigir a um cinema mais alternativo, sem muito apelo comercial e que normalmente exibe filmes que condizem com esta característica. Assim sendo, fui conferir a nova animação de Sylvain Chomet e que conta com roteiro em forma de adaptação do lendário Jacques Tati, e que atende pelo nome de O Mágico.

Chomet já havia me cativado muito com o brilhante As Bicicletas de Belleville, e novamente me tocou profundamente com este seu novo trabalho. Ao contrário de Rio, que me causou raiva no cinema, O Mágico enche o espectador de sentimentos incríveis; o filme é simples, sensível, tocante e extremamente nostálgico, se utilizando de uma atmosfera afetuosa em todo o seu antro, e cada vez mais está perdida no mundo da animação, dominado por novas tecnologias e adereços. Não há nada aqui de atual, já que O Mágico é todo desenhado de maneira um pouco disforme e desconexa. Ruim isso não? Com certeza não. Os traços casam de forma precisa com a intenção do diretor e colorem de forma sensacional o argumento de Tati, isso sem contar nas belíssimas imagens da costa escocesa retratadas de forma estupenda.

O Mágico conta a história de um mágico meio decadente, meio periférico e sua odisséia por se firmar na profissão. Em um show em uma pequena vila no interior da Escócia, ele conhece uma menina que passa segui-lo e a viver com ele, em uma relação parecida com paternidade. O filme então perpassa a vida dos dois, e é neste ponto que Chomet insere seu grande trunfo: o filme é um dos melhores retratos que eu já vi do antagonismo entre fantasia e realidade. A fita se passa quase toda na relação entre a menina fantasiosa que quer se transformar em uma princesa dos contos de fada, e o mágico realista, que tem que trabalhar para bancar os sonhos da menina.

Extremamente nítido, Chomet constrói uma personagem que vai aos poucos se transformando literalmente em uma princesa clássica, com um vestido parecido com o da Branca de Neve, o sapato de Cinderela e lógico o Príncipe Encantado e deixando suas origens mais brejeiras. Enquanto isso, o Mágico trabalha para conseguir bancar tudo isso, já que a menina acredita que ele pode conseguir todas as coisas através de sua mágica. Essa dualidade magia-realidade é feita de uma forma tão sutil, mas ao mesmo tempo tão precisa que se constrói sem falas, apenas com gestos, movimentos e interjeições, no máximo com pequenos diálogos que nem traduzidos são, e que resultam em um final brilhante, simbólico e cheio de carisma.

Apesar de ser uma animação, O Mágico não é recomendado para crianças, já que sua temática é adulta, e por muitas vezes, há um clima meio depressivo que permeia o filme. Não que crianças não possam ter acesso a este tipo de sensação, mas a construção técnica do filme, quase sem diálogos e com uma forma de animação meio “atrasada” não deve agradar muito as crianças de hoje em dia, o que só mostra que o mundo de fantasia está realmente presente nas entranhas do mundo real, além do fato de que muitos adultos podem tomar um belo soco no rosto ao se identificar com um personagem que tenta manter um mundo que não existe, e que quase o leva à ruína.

Chomet acerta novamente, e cria uma animação cheia de brilho e de personagens interessantes. Defeitos? Talvez o fato de ser pouco acessível e de ser bem curto. Uma animação incrível, admirável, afinal da união de Chomet e Tati, dificilmente sairia algo que não se encaixasse em adjetivos deste tipo.


(L'Illusionniste de Sylvain Chomet, 2011)


NOTA: 9,0

terça-feira, 22 de março de 2011

UM OLHAR DO PARAÍSO


Fazia muito tempo que um filme não me proporcionava uma flutuação tão entre sentimentos tão antagônicos e em tão pouco tempo. Ao longo das poucos mais de 2 horas de duração de Um Olhar do Paraíso eu transitei entre alegria, tristeza, raiva, ânimo, excitação, discórdia, admiração, repulsa e acabei no desapontamento com um final simplesmente horrível. Um Olhar do Paraíso tem um bom elenco, um diretor que nem é tudo isso não, porém tem boas características, uma história que possui alguns elementos interessantes, e um monte, mais um monte mesmo de excessos de borrões e fantasias mal construídas e mal encaixadas, aproveitando uma fotografia maravilhosa e uma imaginação para elementos místicos do diretor Peter Jackson, que vão se arrastando, em meio a uma ou outra coisa aceitável, até desembocarem aonde tinha que desembocar, ou seja, em um filme bobo, vazio e que se tivesse seguido o caminho certo, poderia ter sido um filmaço.

O roteiro tem dois elementos interessantíssimos, que poderiam ter ajudado um pouco o filme se melhor explorados, sendo o primeiro a questão de até onde o desejo humano pode influenciar nas coisas e a segunda, é uma virada de um preconceito, já que quando as coisas apertam na família, a mãe foge e é o pai quem segura a barra, entretanto, este segundo me parece uma tendência atual, já encontrada de forma mais leve em Traídos Pelo Destino, filme do diretor Terry George e de forma bem poderosa em A Estrada do diretor John Hillcoat. Todavia, eu não vou dedicar mais palavras a estes temas, por um simples motivo: o filme não liga pra eles, mas os coloca de lado, reduzindo-os a frases banais que se alternam em crises existenciais e momentos auto-ajuda que não convencem nem criança.

A história então é simples: menina de 14 anos desaparece e o filme acompanha então duas odisseias: a do pai e da família de certo modo em descobrir o assassino, e a da menina assassinada, que se encontra em uma espécie de limbo, e acompanha (e em alguns momentos até interfere) nas ações de seus familiares e amigos.O filme tem tudo; psicopata com cara de bobão, brigas de família, misticismo, elementos religiosos cristãos e não-cristãos, cenas de terror, até a velha obsessão dos americanos por milharais e os perigos que eles escondem volta aqui, porém, falta uma ligação, falta um elo forte que ligue de forma consistente todos estes elementos. 

O roteiro é um buraco só. Ele até que começa bem, mas se perde no momento em que a menina morre e Peter Jackson começa a brincar de formar arco-íris. Se a fita focasse mais em lembranças e na tentativa de encontrar o assassino da filha por parte do pai da menina, por mais que se tornasse um mais do mesmo, facilmente seria um filme melhorzinho. Peter Jackson é um diretor que gosta de coisas grandes, exageradas e tem uma mão muito pesada, para uma história que de certo modo é leve. Existem cenas deste limbo onde a menina se encontra que parecem tiradas dos Teletubbies, outras que lembram muito aquele filme com o Robin Williams chamado Amor Além da Vida, outras ainda que me fizeram resgatar da memória um filme do Terry Gilliam chamado Contraponto e que por mais bonitas que sejam, soam deslocadas, exageradas e o pior desnecessárias, e que atendem apenas a esta obsessão megalomaníaca que Jackson tem pela fantasia e por coisas extraordinárias (no sentido absurdo da palavra mesmo). Como se já não bastasse, o final consegue piorar a coisa, deixando nítido o fato de que história mesmo nós tínhamos até a morte da menina, depois disso apenas devaneios e navegações voluptuosas e frívolas de Peter Jackson, ou seja, enrolação mesmo.

O elenco reflete o exagero de Jackson, principalmente Mark Wahlberg e Susan Sarandon. Rachel Weisz está perdida no papel, e em vários momentos não sabe o dom certo de sua ação. Stanley Tucci constrói um psicopata clássico e Saoirse Ronan usa e abusa de uma liberdade que Jackson não deveria ter lhe dado, já que o resultado foi uma atuação viciosa e que força o espectador o tempo todo, convencendo alguns, porém outros (como eu) não.

Em meio a este misto de religiosidade, acasos e epifanias, que alguém resolveu nomear de roteiro, salva-se apenas a boa atuação da menina Rose Mclver como a irmã da protagonista, uma ou outra cena bem construída (como a das páginas sendo viradas pela personagem de Mclver de um caderno em que o psicopata relata seus planos, enquanto o mesmo sobe as escadas em direção ao seu quarto invadido pela mesma personagem acima citada), e uma cenografia e fotografia, aliada aos efeitos especiais que criam cenas belíssimas, porém parnasianas e que servem apenas como contemplação e não como alicerce para a apreciação de um filme que pede para não ser apreciado.

Podia ter dado certo, já que possui elementos para tal, mas a presença de Jackson, desviou o filme para um dos poucos caminhos que o levariam a ruína, e o resultado não poderia ser outro, um filme chato, que gera no espectador diversas sensações, em alguns momentos boas, porém predominantemente ruins, e é isto o que levamos quando a fita termina, ratificado por um dos piores finais que eu vi nos últimos tempos. Com um livro como o de Tolkien e uma grana enorme daquelas não é muito difícil fazer O Senhor dos Anéis, ou seja, Jackson ainda está devendo muito, ainda mais quando o assunto é chegar ao nível em que alguns exagerados já o colocam.


(The Lovely Bones, 2009 de Peter Jackson)


NOTA: 3,5

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO


Isabela Boscov, crítica de cinema da Veja, em uma de suas críticas diz a seguinte frase: " Eu não tenho nada contra bobagens, desde que me divirta", e Scott Pilgrim é uma das grandes bobagens produzidas nos últimos tempos, porém, ela está longe de ser uma bobagem divertida, ao contrário, já que a fita pode até ser "cool", inovadora nas questões de montagem e cenografia, agora carece de vários elementos essenciais para se fazer um filme, principalmente, um bom filme.

O filme vem arrancando elogios e mais elogios por aí, sendo colocado por alguns até como um dos melhores filme do ano, o que eu particularmente não consigo entender; todavia, opinião é opinião, e a minha é bem diferente. Eu até suporto vários defeitos em filmes como efeitos especiais meio fraquinhos, uma direção cambaleante, atuações meio esquisitas e coisas assim, agora Scott Pilgrim possui um defeito que eu simplesmente não consigo aceitar, que é a falta de coerência em seu roteiro, se é que podemos chamar aquilo de roteiro.

O filme é - no sentido metafórico - burro. A história é sem sentido, piegas, chata, clichê, vazia e não explica nada. Estamos lá, acompanhando a vida de Scott Pilgrim quando de repente, do nada ele se apaixona, aí de repente, do nada, aparece um ex-namorado da moça à qual ele se apaixonou dizendo que ele terá que enfrentar a liga dos 7 ex-namorados do mal e ele é o primeiro deles, e de repente, do nada, Scott Pilgrim se transforma em um mestre da luta, resumindo, tudo isto e muitas outras coisas acontecem e ninguém explica nada. Por que os ex são maus? Por que foram " chutados " por Ramona (a namorada de Pilgrim e causadora dos problemas) Como Pilgrim adquiriu capacidades de luta? Por que os caras continuam lutando por uma ex, sendo que não existe mais nada entre eles? E várias outras perguntas sem resposta. Se a atual geração do cinema não se importa mais com a falta de um bom roteiro, me desculpem, mas eu me importo.

Como se não bastasse, o filme tem vários personagens sem função alguma, como a irmã de Pilgrim interpretada por Anna Kendrick, que é uma boa atriz, e mesmo sem função, é responsável por uma das poucas boas piadas do filme, daí já dá pra sentir o nível. Michael Cera que interpreta Scott Pilgrim é um ator que sempre está com cara de chorão, e seu Scott Pilgrim transita entre o adolescente bobão e o super lutador que vencerá a liga dos ex-namorados pelo amor de uma garota que ele viu em um sonho e depois conheceu em uma festa em poucos dias (What a hell????). Um dos poucos pontos positivos do filme é Kieran Culkin no papel do amigo gay de Scott Pilgrim.

Na parte técnica o filme pode até inovar pelo modo como é montado e tudo o mais, agora, a edição precisava ser tão veloz? Existem momentos em que é quase impossível acompanhar o ritmo do filme. Além disso, o filme é tão colorido que em alguns momentos chega a cansar, tudo é uma mistura de vermelho, rosa e laranja batendo na cara do espectador com toda a força. As referências aos vídeo-games, RPG´s, e a cultura indie-emo-pop são claras, e por mais que as quase citações a games clássicos como Sonic (os ex-namorados e seus capangas quando morrem viram moedinhas), Zelda e outros soem legais, tudo é banalizado e transportado a uma culturalização moderna, bizarra e fútil. A trilha sonora é cruel e um ataque aos ouvidos e a boa música, com músicas que vão desde o indie rock em sua pior colocação, até músicas eletrônicas chatíssimas.

Scott Pilgrim transforma a vida real dos personagens em uma partida de vídeo-game, só se esqueceram de uma coisa: os grandes games, adquiriram esse caráter por que também possuem boas histórias, e este filme aqui parece colocar a clara ideia de que geek, fãs de games e afins, só querem saber de ação, aventura, porrada e barulho, o que não é verdade (o que são aquelas representações escritas de onomatopéias? aquilo enche muito o saco, afinal todo mundo sabe o som que uma cabeça batendo na parede faz). Tudo aqui é banalizado e elevado a futilidade de uma cultura que a cada dia se mostra mais sem conteúdo e chata, e olha que entre os banalizados existem coisas "sem importância" para o mundo como amor, amizade e a inteligência dos personagens e espectadores.

Filmes de nerd (ou geek, como preferirem) existem aos montes e bem melhores e interessantes como as boas comédias de Kevin Smith, o atual Kick-Ass - Quebrando Tudo e em um âmbito mais sério, A Rede Social e Matrix por exemplo, cada qual em seu contexto. Scott Pilgrim é uma grande bobagem, mas de qualidade extremamente duvidosa e de um mal gosto incrível, além de ser vazio, fútil e estúpido. Se a intenção do filme era fazer uma crítica sobre os artefatos da juventude atual, me desculpem mas eu interpretei errado, já que pra mim, isso aqui soa mais como apologia, e se Scott Pilgrim é um retrato da nova juventude que agora ocupa um espaço que já foi da minha geração (mesmo os personagens do filme tendo em média 23 anos pra mais, agem e pensam como jovens de 15 pra menos), ele realmente criou uma sensação em mim que eu ainda não havia experimentado, a de gostar de ter 25 anos e não ser parte mais de uma "geração atual".

Um filme ofensivo, e que não conseguiu me causar outra coisa além de sono e um pouco de revolta, tamanhoa a manipulação e estupidez do negócio. Um dos piores filmes que vi neste ano, e o pior é que a moda deve pegar.


NOTA: 3,0

terça-feira, 30 de novembro de 2010

HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE PT. 1


Todo filme baseado em livros, deve partir de uma premissa máxima invariável, que ultrapassa popularidade da obra, aceitação pelo público e coisas desse tipo, formando o norte da obra; esta premissa é simples: "A maioria de seus espectadores não fizeram a leitura do livro, ou seja, o filme não pode depender do livro para a compreensão do público. Tudo bem, agora qual o motivo que levaria este ser a começar uma resenha sobre o mais novo filme de Harry Potter dessa forma? Igualmente simples a resposta: o novo Harry Potter não respeita essa máxima.

Mais uma vez o dinheiro venceu o bom cinema. Dividir o último livro em dois filmes com a desculpa esfarrapada de aproveitar melhor o livro, fez com que As Relíquias da Morte Pt. 1 se transformasse no pior filme da série até o momento. É claro que o livro foi bem mais presente na obra, afinal o negócio tem que ter força para dois filmes, não havia outra alternativa. Entretanto, essa divisão gerou vários problemas, e começamos a elencá-los agora. O primeiro deles é exatamente o excesso de livro. Tudo foi colocado ali, fazendo com o filme caía em uma monotonia após os 20 primeiros minutos, capaz de despertar sono até em quem sofre de insônia, voltando a despertar apenas no final, ou seja, As Relíquias da Morte possui um seríssimo problema de andamento. David Yates não consegue dosar as coisas aqui como conseguiu em O Enigma do Princípe e volta a ter lapsos de A Ordem da Fênix. Com exceção do começo e do final que são super velozes, o filme é um amontoado de briguinhas e perseguições sem sal, envolvendo os já costumeiros Harry, Rony e Hermione, e pra dizer bem a verdade, quase nada acontece de relevante para o restante do andamento do contexto principal, além do fato de aparecerem enxurradas de novos personagens inúteis e que só complicam o andamento do filme e a compreensão do espectador, tudo em nome de "ser mais fiel ao livro", ou como também é conhecido, tudo em nome do velho e querido "dinheiro", afinal por que produzir apenas sete filmes se podemos produzir oito e ganharmos muito mais dinheiro não? E o cinema que se lasque.

Outro problema é o pouco aproveitamento dos outros personagens que não sejam o "trio mocinho". Personagens importantes como Snape e Voldemort quase não aparecem, assim como personagens interessantes como Umbridge e Hagrid. Por outro lado, a maioria das ações ficam a cargo do trio principal, que não conseguem segurar muito a barra, e falham em várias cenas.

Os efeitos especiais, fotografia, maquiagem e estas coisas mais artísticas e técnicas continuam impecáveis, e seguindo a tendência iniciada com o obscuro trabalho de Cuáron em O Prisioneiro de Azkaban, tudo é mais adulto e fica cada vez mais amadurecido, porém,  depois de ter ido ao cinema, não sei se isso é muito bom, pois pelas atitudes presenciadas por mim na sala, percebi que a maioria do público do bruxinho ainda é bem infantil, mesmo que for apenas na capacidade mental e intelectual.

Acredito que a questão que envolve este Harry Potter é tranquila de se definir e se mostra da seguinte maneira: De um lado aqueles que adoraram o filme, ou seja, os fãs da saga que acompanham com afinco, que leram os livros e gostaram da fidelidade do filme, mesmo este tornando-se lento e chato. Todavia, do outro estão aqueles que não são fãs da saga, não leram os livros, e acompanham Harry Potter como a qualquer outro filme lançado no mercado. Se você faz parte da primeira turma, provavelmente Harry Potter e As Relíquias da Morte Pt. 1, lhe agradará e muito, agora se você for da segunda, já sabe o que vai encontrar. Assim sendo, após ler esta resenha, fica fácil perceber a qual turma eu em particular pertenço, caso você possua alguma dúvida ainda é só dar uma verificada na nota logo abaixo. E que venha o oitavo filme, mesmo existindo apenas sete livros para serem adaptados.


NOTA: 5,0

domingo, 28 de novembro de 2010

HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE


Depois de assistir ao chato e denso A Ordem Da Fênix, eu confesso que havia desanimado totalmente de uma saga que nunca chegou a me animar de verdade, entretanto David Yates conseguiu se recuperar, e me surpreendeu com um interessante e ótimo trabalho, o que transforma Harry Potter e o Enigma Do Principe em um dos melhores filmes da saga, superado, para mim, apenas pelo Cálice de Fogo.

Yates achou o seu tom na saga e conseguiu dar dinâmica e precisão a um roteiro difícil, talvez o mais difícil da saga. Apesar de ainda pecar um pouco nas cenas periféricas, o diretor conduz muito a câmera, e cria um cenário obscuro e poderoso, sem parecer forçado e nem adulto demais. Os movimentos e a preciosidade de sua condução, levam o espectador a uma grande viagem, e em nenhum outro momento da saga, estivemos tão bem à vontade para presenciar as aventuras do bruxinho e de seus amigos. Apesar de o filme não ser o melhor em minha opinião, Yates produz aqui a melhor direção da saga sem dúvida. 

Entretanto, alguns defeitos existem, como a pouca importância para um personagem, que segundo minhas fontes sobre o livro, possui vital participação, além de uma rapidez no desfecho, com a morte de um dos personagens mais presentes da saga, e que poderia ser muito melhor explorado. Fora isto, e aquelas historinhas românticas e picuinhas paralelas que continuam a encher o saco na saga, o filme é bom exemplar do cinema de fantasia em geral.

O elenco está bem leve e solto, resultado da precisão de Yates, que consegue arrancar ótimas atuações de todo o elenco, e que contribuíram demais para todo o aparato sombrio e misterioso que nos contorna durante toda a película. Isso sem contar a brilhante trilha sonora (também a melhor da saga), e toda a parafernália técnica e artística que está brilhante.

A verdade é que David Yates recuperou e por que não dizer reviveu a saga depois do fracasso de A Ordem Da Fênix. Harry Potter e o Enigma do Príncipe, possui o mérito de buscar sempre aquilo que os atores e o roteiro tem de melhor, e de ser ousado, coisa que faltou muito em A Ordem Da Fênix. Um belo trabalho e que colocou novamente a saga do bruxinho na mente de vários cinéfilos, incluindo este que vos fala, e olha que a resistência foi grande.


NOTA: 8,5