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terça-feira, 19 de junho de 2012

CORIOLANO



Estréia de Ralph Fiennes na cadeira de direção, Coriolano adapta e transporta para a atualidade mais uma obra de Shakespeare. Assim como o desafio de se fazer tal ruptura não é algo novo, os problemas e os acertos de tal audácia continuam também os mesmos.

Assim como Baz Luhrmann em seu ótimo Romeu + Julieta e Michael Almereyda  em seu não tão ótimo Hamlet – Vingança e Tragédia, Fiennes opta por manter a linguagem clássica e erudita de Shakespeare, algo que já de início choca, ainda mais aqui, onde as cenas iniciais são de guerra constante. Esta manutenção da linguagem erudita, por mais que agrade pessoas de ouvidos abertos às nuances e belezas da língua, atrapalha na assimilação da ideia geral e do contexto mais coloquial devido ao excesso de metáforas e elementos poéticos, em outras palavras, como não estamos diante de um filme de época, onde o espectador já espera tal erudição lingüística, o negócio soa meio artificial e deslocado. No filme de Luhrmann acima citado, o aspecto romântico da fita segura esta artificialidade em baixa devido à poesia do próprio romance. Já no caso de Almereyda, a artificialidade é mais evidente, porém disfarçada também pela majestoso ambiente que a melhor peça de Shakespeare propõe. Todavia, Fiennes se vê de encontro com uma história totalmente trágica, com elementos políticos e diplomáticos que funcionavam na Roma Antiga, mas que atualmente não funcionam mais.

Banimento da cidade, patrícios, plebeus não condizem com o meio atual e deixa o espectador meio desconfortável quanto ao real sentido de tudo aquilo. O desenrolar é simples, e em alguns momentos as coisas se resolvem muito fáceis, enquanto que em outros o negócio rasteja. O início é muito lento e tedioso, e provoca uma correria no final, onde muitas coisas são atropeladas. Fiennes acaba perdendo um pouco a mão neste sentido, e não consegue um bom equilíbrio do enredo, onde temos um início extremamente maçante, uma meio empolgante e forte e um final corrido e com desfecho mal trabalhado.

Tirando estes elementos, e o fato de o filme se perder um pouco nos “romanismos” que a peça possui, Coriolano caminha até bem. Fiennes tem uma atuação incrível como Caio Márcio e Vanessa Redgrave encarna com muita força a mãe do personagem central. Mesmo Gerard Butler cuja qualidade da atuação nunca supera seu carisma é conduzido de maneira segura por Fiennes. Por sua vez, Jessica Chastain, o novo arroz de festa do cinema, está um pouco apagada em um papel de pouca relevância como a esposa devota do General Caio Márcio.

O trabalho é ousado e Fiennes pagou um pouco pela ousadia. Talvez um diretor mais experiente conduzisse melhor tal obra, entretanto, o início é sempre complicado, e Fiennes parece ter talento para a nova função que se propôs a assumir. Seu trabalho no final das contas é caracterizado por uma boa direção dos atores, mas por uma má distribuição do roteiro e por problemas de andamento. Logicamente, o ator que já nos propiciou grandes atuações em A Lista de Schindler, O Morro dos Ventos Uivantes, o Paciente Inglês e é conhecido do grande público por ter encarnado o maléfico Lorde Voldemort na saga Harry Potter terá muito a evoluir na função de diretor, contudo, parece ter talento e perspicácia, algo que nos leva a acreditar que no futuro filmes melhore virão. Coriolano não chega a ser um filme ruim, mas falta um algo a mais para elevá-lo às categorias áureas do cinema, e é exatamente este algo a mais que Fiennes terá que aprender.


(Coriolanus de Ralph Fiennes, Inglaterra - 2011)


NOTA: 5,5

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

AS AVENTURAS DE TOM JONES


Um dos mais contestados vencedores do Oscar de Melhor Filme, As Aventuras de Tom Jones pode ser descrito como uma comédia de aventura, que tem por intenção primordial se utilizar de um elemento pastelão para ironizar e ridicularizar os atos da nobreza e do povo britânico em geral do século XVIII, onde esta nobreza já se encontra em franca decadência por “n” motivos que não cabe discussão neste post.

A ideia, por mais que seja interessante, não tem nada de original. A quantidade de filmes que retratam a decadência e as frivolidades de nobreza britânica é imensa e engloba praticamente todos os gêneros do cinema. Sendo assim, Tom Jones se destaca apenas nos quesitos técnicos e nos movimentos de câmera do talentoso diretor Tony Richardson. Todavia, as qualidades do filme param por aí, e o restante se perde exatamente no ponto em que ele deveria criticar, colocando em linhas gerais, assim como a nobreza inglesa em sua maioria, As Aventuras de Tom Jones é um filme superficial, frio e em muitos momentos de gosto duvidoso, defeitos estes cruéis principalmente para uma comédia.

O figurino é exagerado, o filme é mal fotografado e possui um trabalho de maquiagem digno de circo. As boas situações e os elementos críticos do filme são substituídos pelas situações bobas e que apelam para a falta de inteligência do espectador, podemos até dizer que, no caso de Tom Jones, o filme comprou a ideia, e ao invés de crítico se tornou apologético, basta ver o desfecho, totalmente favorável aos personagens, por mais que os mesmos não tenham tido nenhuma perspectiva de mudança comportamental.

O roteiro é maldoso em algumas situações, chegando a apelar para a escatologia e humor desenfreado para tentar chocar o público. Além disso, Tom Jones é um dos filmes que menos possuem noção de andamento que eu vi nos últimos tempos. A fita perde minutos e mais minutos em momentos descartáveis, para correr como um velocista no final, atropelando tudo e causando um reboliço na cabeça do espectador, sem contar o fato de muitas coisas se resolverem sozinhas sem qualquer tipo de explicação.

Como pontos positivos, encontramos uma inspirada trilha sonora que faz várias menções a comédias de pastelão antigas, cheias de toques velozes e alegres e o esforçado elenco no geral, que tenta arrancar boas atuações de um roteiro que não os presenteia com bons personagens.

As Aventuras de Tom Jones é fácil, um dos mais fracos vencedores do Oscar de Melhor Filme, mas isso é apenas um ponto curioso, que traz uma mística de surpresa a quem assiste esta fita, afinal sempre se espera algo mais de um filme com este rótulo, algo que não acontece aqui. Muito mais que um fraco vencedor de Oscar, Tom Jones é um fraco exemplar do cinema como um todo, independente de prêmio ou não.


(Tom Jones de Tony Richardson, Reino Unido-1963)


NOTA: 4,5

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O GATO DE BOTAS


Criado pelo francês Charles Perrault no longínquo ano de 1697, o Gato de Botas sempre foi símbolo de lealdade e coragem. Contudo, não é este gato precisamente o assunto deste pequeno texto. Neste caso, o personagem central é aquele simpático mosqueteiro felino que apareceu pela primeira vez no segundo filme da franquia Shrek e que (seguindo a tendência da animação) ganhou um trabalho próprio. A Dreamworks não perdeu tempo e criou um ambiente bem favorável àquele que talvez seja seu mais carismático personagem.

O tom amarelado no melhor estilo Garfield está de volta, juntamente com seu figurino de tendências dumasianas com toques de Zorro e aquele sotaque de Don Juan que combina perfeitamente com um timbre de voz sedutor; não há como negar, o bichano é um charme só e possui um inigualável carisma. Tal caráter é extremamente explorado pelo filme, o que nos leva a afirmar claramente a seguinte premissa: se fosse um filme solo de um personagem diferente o resultado teria beirado o catastrófico.

O enredo da animação é pouco inspirado e se utiliza de outra fábula (João e o Pé de Feijão) para se formar. Falta inspiração para mudar um pouco o curso das coisas, o que torna o roteiro previsível demais. O vilão (que se “desvilaniza” depois) é um personagem incrivelmente chato. O ovo Humpty Dumpty (personagem também tirado de obras literárias infanto-juvenis e de mensagens folclóricas e culturais) é construído de tal forma que nos vemos diante de um dos mais intragáveis (no mau sentido) e desinteressantes personagens da animação recente.

Se o vilão e o roteiro fazem com que o filme derrape de forma muito forte, seu protagonista consegue segurar um pouco do outro lado da corda. Principalmente no início, ou seja, antes daquele ovo chato aparecer, o filme é uma boa piada atrás da outra, levando o espectador a momentos de puro riso. Quando foca no Gato o filme cresce, quando ele divide a tela com o ovo sua presença sofre uma ofuscação com a chatice de seu companheiro. Em suma, O Gato de Botas é um cabo de guerra disputado pelo carisma e a simpatia de seu protagonista contra a chatice do personagem Humpty Dumpty e a pobreza de roteiro. Para alegria, principalmente das crianças, o Gato vence mais uma, e conta com isso com uma sensacional trilha sonora e com coadjuvantes menores até interessantes como a gata Kitty Pata-Mansa e como um gato que só aparece de olhos arregalados e assustado com o que vê, soltando sempre um sonoro “oooohhhhh”.

Uma animação com grandes defeitos, mas que os supera calcados na força de seu protagonista. É óbvio que o filme poderia ter sido bem melhor, ainda mais por ter como protagonista um personagem tão carismático, todavia, O Gato de Botas cumpre o seu papel, tornando-se um bom entretenimento e um ótimo programa para crianças e para adultos que desejam relaxar e dar boas risadas.


(Puss In Boots de Chris Miller, EUA - 2011)


NOTA: 6,5

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A ESPADA ERA A LEI


Uma das mais sutis, belas, simples e singelas obras dos estúdios Disney, A Espada Era a Lei sobrevive hoje como um clássico que alegra muito mais fãs saudosistas do que públicos saudosistas, algo que, aliás, acontece com a maioria das animações mais antigas, quando não existiam animações computadorizadas, e as histórias destas antiguidades se baseavam em números musicais e lições de aprendizagem, que em primeiro momento tinham o intuito de atingir as crianças, mas que levavam os adultos correnteza abaixo também.

A Espada Era a Lei tem sua base nas lendas arthurianas, e conta a história do pequeno Arthur, este sendo ainda treinado por um Merlin que sabia que o mesmo estava predestinado a algo grande, porém sem saber o que, antes de retirar a lendária Excalibur da pedra onde esta dormia e se tornar Rei da Inglaterra e líder dos Cavaleiros da Távola Redonda. A animação não adentra na vida de Arthur depois de tornar rei, se tornando então um prólogo sobre a preparação do mesmo e da Inglaterra antes de acolher seu lendário monarca. De tal modo, e por se manter apenas na infância do personagem, o filme não se utiliza da lenda para se firmar, se utilizando apenas de seu próprio roteiro e de sua querela mais “independente” para se sustentar, algo muito bom para a intenção da fita.

O filme é muito leve e muito divertido, nos remetendo ao que a Disney sempre teve de melhor, ou seja, aquele humor simples, vindo de personagens e piadas espontâneas e que levavam os espectadores ao delírio. O maior exemplo disso é a alegria e a magia do estabanado e simpático Merlin. Como se o velho mago lendário não fosse ele, por si só, extremamente engraçado, ele ainda conta com as trapalhadas de seu assistente Arquimedes, uma coruja muito astuta e ao mesmo tempo muito engraçada. Os dois com certeza seguram, em grande parte sozinhos, a bronca do longa inteiro. Os números são poucos, porém bem encaixados e bem feitos, ajudando o filme em seu andamento.

A clássica lição de moral dos filmes mais antigos da Disney está bem presente aqui, e de muitas formas, mas a que mais se repete, se torna um problema para a assimilação atual da fita, já que a tal lição simplesmente envelheceu. Eu sei que alguns discordarão de mim quanto a isto, afinal as frases dos mesmos para os perfis do Facebook, Orkut e MSN dizem o contrário e aceitam ideias parecidas com a deste filme, mas qualquer pessoa que aprofunde um pouco mais a análise sabe que isto se trata de uma das várias hipocrisias da era digital. Qualquer pessoa mais atenta e mais analítica em relação ao mundo e à juventude atual, conseguirá entender o problema que um filme que frisa “a supremacia do estudo e da inteligência sobre a força física e ao apelo passional” enfrentará. Tal premissa, inúmeras vezes repetida por Merlin no intuito de ensinar o pequeno Arthur só colabora para o caráter “envelhecido” da fita. Isso não é um defeito do filme, mas é o preço que ele paga por ainda sobreviver a uma sociedade com um defeito.

A animação tem poucos problemas; sendo um deles seu formato argumentativo que poderia ter uma dinamicidade maior, levando-se em conta principalmente o fato de se tratar de um filme basicamente infantil. Outro problema que a fita possui este já um pouco mais sério é a falta de carisma de seu protagonista, já que o pequeno Arthur é muito simples e sem muita audácia ou personalidade, sendo facilmente engolido por qualquer outro personagem da trama, mesmo quando estes são nitidamente coadjuvantes como seu padrasto Sir Ector, seu irmão de criação Kay ou a malvada e clássica madame Min. Tais problemas prejudicam um pouco a fita, porém não tiram o brilho de uma bela animação e nem a rebaixam de seu status de clássico em seu gênero.

Um ótimo trabalho, que sobrevive até hoje com o rótulo de ter sido o último filme dos estúdios Disney a ser produzido enquanto seu fundador, Walt Disney, ainda estava vivo. Curiosidades e situações à parte, A Espada Era a Lei vale cada minuto do tempo dedicado a apreciá-lo, admirá-lo e entendê-lo; afinal de contas, nenhum filme sobrevive (e sobrevive bem) quase cinqüenta anos (o filme completará cinqüenta anos em 2013) à toa. Busque suas qualidades, viva seus conselhos e aprecie seu humor e assim, você estará embrulhado em um grande filme, muito mais que isso, você se tornará cúmplice de uma grande obra.


(The Sword In The Stone de Wolfgang Reitherman, EUA - 1963)




NOTA: 8,5

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

MORTE NEGRA


Épico medieval que mistura, além dos elementos já clássicos do gênero, um toque muito forte de suspense e, por que não, elementos que beiram o terror. Contando com Sean Bean (o Boromir de O Senhor dos Anéis) como único mais ator “badalado”, Morte Negra se utiliza destes elementos para contar a história de um grupo de cavaleiros cristãos que recebem a missão de adentrar a uma aldeia, que misteriosamente não se encontra padecendo sobre o terror da chamada Peste Negra, e que buscam em um jovem monge o guia (no sentido turístico da palavra) para alcançar tal localização.

Qualquer pessoa que se lembra um pouco de suas aulas de história, sabe que Peste Negra foi o nome pelo qual ficou conhecida a peste bubônica, após (e durante) a pandemia que assolou boa parte da Europa no século XIV. O contexto do filme é este: uma Europa devastada, suja, pútrida e com sua população morrendo ou de peste ou de medo de tudo aquilo se tratar de um castigo divino (é interessante levar em consideração que, além da Peste, outra coisa que dominava a Europa era a Igreja Católica unitária).

O filme trabalha bem com o contexto, e o mais interessante é que em nenhum momento ele deixa de ser contexto. Morte Negra não é um filme sobre a Peste Negra, nem sobre o medievo em si, mas sobre um embate, sobre um aspecto delicado, difícil e que gera interpretações e colocações de variados modelos, falamos do embate, mais que clássico no medievo, entre paganismo e cristianismo. É difícil citar ou trabalhar todas as nuances abordadas pelo filme, mas o fato é que, Morte Negra consegue atribular de forma muito eficiente este confronto. De um lado, enviados cristãos que tem como missão combater uma aldeia que, por não ter sido atingida pela peste, é vista como demoníaca, ou seja, aquele clássico “ser diferente” tão combatido por instituições dominadoras.

Morte Negra não é um filme ateu, nem pagão, e sim deísta, e visivelmente (como é explícito no final) anticristão, pelo menos, daquele cristianismo absurdo e violento praticado pela Igreja Católica na época analisada. Vale ressalva, que mesmo com tal caráter, a crítica a posições x ou y, parte muita mais da interpretação do espectador do que propriamente de um elemento explícito no filme. O roteiro de Dario Poloni consegue flutuar e se infiltrar em todas as perspectivas possíveis, e demonstrar aspectos positivos e negativos em todos, algo que é muito complicado, e que uma tomada de partido no final não corta o mérito.
Tecnicamente falando, o filme está bem longe de ser original, ou de acompanhar a força de seu roteiro (que, quando foge do argumento central, também cai em situações fáceis). O figurino e a cenografia são visivelmente limitados (culpa de um baixo orçamento), e as atuações de alguns coadjuvantes beiram o amadorismo. A direção do desconhecido (pelo menos para mim) Christopher Smith é comum, e se utiliza de flashes, movimentos e cortes que buscam muito mais uma aventura épica do que uma reflexão temática como o roteiro permite, o que faz com que Morte Negra acabe se tornando um filme acessível a todos, mesmo que a maioria fique estagnada na exterioridade da direção de Smith.

Confesso que me surpreendi com a capacidade argumentativa deste filme, o que não o torna um filmaço, mas o torna reflexivo; algo cada vez mais raro hoje em dia. A verdade é que Morte Negra exige uma análise muito mais historiográfica e filosófica do que propriamente cinematográfica, porém, como este não é o intuito chave do blog, acredito que os pequenos entraves que citei sejam suficientes para despertar a curiosidade para um filme pequeno, que estreou no Brasil direto em DVD e que se sai muito melhor que a capa ou a sinopse. Muito mais que lido ou comentado (sobre o mesmo), Morte Negra é um filme que deve ser visto. Uma boa surpresa.


(Black Death de Christopher Smith, Alemanha/Reino Unido - 2010)


NOTA: 7,5

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

THOR


Um filme igual para um herói diferente; esta talvez seja a melhor forma de definir o petardo do clássico diretor Kenneth Branagh e sua iniciativa em filmes que são diretamente comerciais. Se levarmos em consideração que Branagh, é considerado por muitos (inclusive por mim), como a versão moderna de Sir Laurence Olivier, pela capacidade de transpor Shakespeare para o cinema; Thor é, além de totalmente incomum para o diretor, é algo que poderia ter sido evitado.

Branagh está nitidamente desconfortável. Seus movimentos de câmera são lentos para um filme de ação, e falta time ao diretor para este tipo de produção, o que faz com que o filme fique um pouco dramático em excesso. Os efeitos especiais são legaizinhos e o filme é bem colorido, às vezes um pouco demais, às vezes contrastando bem com a fotografia, o que nos leva a crer que, devido ao não domínio de Branagh no gênero, estas partes tenham sido inseridas quase que sem sua supervisão, transformando Thor em um filme cortado, repartido e que não consegue criar universos muito conectados.

Se Thor perde para outros filmes baseados em heróis de quadrinhos em sua parte normalmente mais forte (cenas de ação e efeitos especiais), ele ganha em plásticas e condução de atores. O filme tem uma fluência mais calma e se utiliza da mão forte, porém mais clássica de Branagh, para formar um clima menos explosivo e mais receptivo a uma parte menos específica para o gênero, porém mais altiva para espectadores em geral.

Falando deste jeito, parece que entro em contradição, pois até agora descrevi Thor como sendo diferente dos outros filmes do gênero, o que geraria um paradoxo com minha primeira frase deste texto. A questão é que, acidentes a parte, a essência do negócio é a mesma. Como quase todos os filmes baseados em quadrinhos, Thor funciona bem como entretenimento de domingo à tarde, mas deixa bastante a desejar quando o assunto é cinema de qualidade propriamente dito. O que faz Thor mais interessante que grande parte dos outros heróis, é a questão mitológica que o envolve. Tenho certeza que se Branagh fosse mais adequado e envolvido com o clima em geral, este aspecto teria sido mais bem desenvolvido, o que faria com que Thor tivesse, não apenas um atrativo a mais, mas um grande atrativo. 

Eu até gostei do filme, mas confesso também que, por gostar do herói envolvido e por possuir uma grande admiração pelo trabalho de Branagh estava inclinado a isto; contudo, admito que o filme seja mediano e que não possui muitas pretensões além de “ser mais um”. No final das contas, o Thor de Branagh me passou a mesma sensação que o Harry Potter de Alfonso Cuáron: é muito talento para pouco filme. Thor seria um filme melhor sem Branagh, assim como Branagh poderia ter se livrado dessa. Um filme meão, de puro entretenimento e sem muitas pretensões, e é apenas deste modo que o mesmo funciona, contudo àqueles que esperam dele mais que isso, melhor procurarem outra coisa.


(Thor de Kenneth Branagh, EUA - 2011)


NOTA: 5,5

terça-feira, 5 de julho de 2011

EM NOME DO REI


Quando comecei a assistir Em Nome do Rei já tinha em minha mente que se tratava de um filme que havia concorrido ao Framboesa de Ouro de pior filme, além de ter recebido críticas pesadíssimas dos críticos e ter gerado uma ira nos fãs ortodoxos do game no qual o filme foi baseado, que atende pelo nome de Dungeon Siege e que eu não sei nem se tem nome em português e também não tenho a menor idéia como é este jogo.

Fica claro então que eu não faço parte dos fãs cruéis que massacraram Em Nome do Rei por não representar bem o jogo, porém eu faço parte daqueles que entendem as críticas pesadas e também a indicação ao Framboesa de Ouro. É lógico que eu já vi coisa pior, inclusive outro filme do diretor Uwe Boll, no caso o terrível Alone In The Dark, agora o filme foi cercado de expectativa, e um dos grandes pontos a favor de um filme para este concorrer ao Framboesa de Ouro é a decepção que causa, muito mais até que a baixa qualidade.

Em Nome do Rei tem tantos problemas, que se eu resolvesse detalhar todos, tenho certeza que me alongaria excessivamente para um texto que fará parte de um blog, assim sendo, me aterei àquelas que considero mais fortes e mais imperdoáveis. Começo pela análise da direção do alemão Uwe Boll, que, de diretor não tem nada. É impressionante como Boll não consegue criar profundidade em nenhuma cena. Tudo é muito corrido, a câmera parece pendurada em algum lugar enquanto os atores pulam na sua frente. Ele erra nos enquadramentos e não consegue sequer criar o clima necessário para o decorrer do que se propõe. Para resumir em poucas palavras, ou melhor, em uma, lastimável, já que nem quando ele tem a chance de se utilizar dos planos abertos que encaixariam melhor as batalhas e esconderiam um pouco à falta de criatividade do diretor o resultado é diferente, o que me leva a perguntar como um cara desses consegue emprego no cinema?

O elenco, recheado de nomes conhecidos, porém poucos confiáveis demonstram o porquê de tal condição. Jason Statham até briga bem, mas querer que ele demonstre emoção é querer demais, simplesmente não dá. Leelee Sobieski parece uma pedra andando e não consegue desenvolver uma personagem que no final das contas não possui função nenhuma. Burt Reynolds não se livra em nenhum momento de sua cara de canastrão o que faz com que seu “rei justo e bondoso” pareça até uma piada. Agora, nada se compara as atuações irritantes e cruéis dos vilões do filme. Ray Liotta e Matthew Lillard nos proporcionam interpretações que beiram o amadorismo. Para não jogar tudo no lixo quanto às atuações, John Rhys-Davies, Will Sanderson e Claire Forlani até se esforçam, mas esbarram em personagens mal utilizados e mal construídos pelo roteiro, se é que se pode chamar uma história tão bobinha, tão clichê e tão sem imaginação de roteiro. Previsível, cheio de buracos e de saídas fáceis, o argumento do filme se transforma em uma união de tentativas de cenas de ação mal feitas, com dramas e aventuras medievais misturadas a elementos de fantasia, com direito a monstros e magia agregados ao mesmo.

Como se não bastasse, os efeitos especiais do filme são péssimos e a edição de som usa e abusa de tilintes e de “sons da natureza”, insistindo nestes, mesmo quando uma música se faria mais precisa. Aliás, se podemos salvar algo desta baderna cinematográfica, este algo é a trilha sonora, e com um ou outro deslize, o figurino também não faz feito, mas venhamos e convenhamos que é muito pouco, para um filme que possuía pretensões não muito modestas, ainda mais por estar incluído na turma das adaptações de um dos elementos mais fortes e de fãs mais radicais que existem, no caso, os fãs de vídeo games.

Tenho certeza que para os fãs do jogo citado em nosso primeiro parágrafo a decepção foi grande, e também tenho certeza que estes fãs torcem para Boll não resolver “adaptar” outro jogo para o cinema, eu pelo menos torceria, pois, se Alone In The Dark já era um filme de qualidade muitíssimo questionável (sendo bonzinho), Em Nome do Rei segue uma linha bem parecida, por mais que seja “menos pior” que o citado antecessor. Nem mesmo a boa Skalds and Shadows da banda alemã Blind Guardian tocando no menu e nos créditos salva isto aqui.



(In The Name Of The King: A Dungeon Siege Tale de Uwe Boll, Alemanha/Canadá/EUA - 2007) 



NOTA: 3,0

segunda-feira, 30 de maio de 2011

CAMINHO DA LIBERDADE


Para muitos estudiosos e curiosos sobre o assunto Segunda Guerra Mundial, nenhum lugar poderia ser pior para um prisioneiro ser enviado do que os gulags russos. Os gulags eram campos de trabalhos forçados no meio da vastidão fria da Sibéria para onde a ditadura de Stálin enviava todo tipo de preso, bastava se opor ao regime stalinista. Caminho da Liberdade o mais novo filme do veterano diretor australiano Peter Weir (de filmes como O Show de Truman, Sociedade do Poetas Mortos, Mestre dos Mares entre outros), e relata a história verídica de um grupo de prisioneiros políticos que conseguiram fugir de um gulag e passaram por situações deploráveis no seu caminho para a liberdade, em pleno conflito supracitado, mais precisamente no início da década de 40.

De tal modo, Weir conduz um filme difícil e que possui uma linha muito tênue entre o precisamente dramático e o excessivamente dramático. Em vários Weir escorrega, mas na maioria do tempo se firma do lado positivo da linha, carregando uma câmera sutil, para contrastar com um ambiente natural extremamente pesado, assim como as situações vividas. A experiência do diretor ajudou muito aqui, já que não foi a primeira vez que Weir se aventurou em épicos deste tipo, mesmo com várias diferenças, no escopo geral podemos ver elementos tanto de Mestre dos Mares quanto de Gallipoli, isso para citar apenas dois. Para ser sincero, Weir nunca demonstrou ser um diretor bem definido e com um estilo marcante, agora eu confesso que sempre do modo como este australiano consegue sutilizar seus movimentos, tudo parece tão dançante e tão leve, que seus filmes, mesmo pesados, te marcam por um sentimento pacífico e não por algo muito brusco ou cortante.

Caminho Da Liberdade possui apenas alguns problemas de roteiro, correndo muito em algumas situações (a fuga do gulag poderia ter sido mais detalhada) e se prendendo muito em outras que a meu ver não possuía essa necessidade (a passagem pelo deserto do centro-leste asiático), mas se defende com uma fotografia, uma cenografia, uma edição de som e efeitos especiais estupendos, que se aproveitam da flutuação das paisagens para alinhar um clima sensacional (as imagens da Sibéria e as representações de tempestades de neve e areia são ótimas), além do fato de que Caminho da Liberdade possui uma das trilhas sonoras mais bonitas e mais bem encaixadas que eu ouvi nos últimos tempos.

O elenco merece um parágrafo a parte. Filmes em que se tem grupos de atuações e que passam de forma coletiva pelas situações do roteiro, se mostram complexas em alguns momentos pela pluralidade dos atores de se compor quanto a tais condições. Aqui esse problema é eliminado devido ao talento como um todo e da maneira sagaz com que Weir e sua equipe formulou os personagens e os conduziu. Ed Harris está brilhante e é bom vê-lo de tal maneira, e o elenco todo faz o filme com uma paixão e com uma vontade, que até parece acreditarem mesmo nesta liberdade fora dos muros de um gulag. Tudo é muito sincero, e o filme trabalha com a importância da jornada e do ato, e se abastece de uma tese central já exposta no início do filme: muito mais que guardas, muros, armas e cães, os prisioneiros dos gulags devem lutar contra uma natureza extrema e cruel para alcançarem seus objetivos, ou seja, é um movimento circular o do filme, já que a natureza ao mesmo tempo que é vilã é heroína, já que na trajetória é dela que tiram a sobrevivência. Essa pseudo-dicotomia (se é que isso é possível) entre uma natureza que ajuda e uma natureza que atrapalha é muito delicada e Weir não a deixa explícita em nenhum momento, porém ela está ali e dá base para todo o processo do filme. A trajetória é natural, a busca pela liberdade é natural, o homem vive com e contra a natureza e deve se nutrir dela e ao mesmo tempo combatê-la. Muito mais que uma guerra bélica, Caminho da Liberdade é uma guerra humana, de si contra sua própria natureza, e as peripécias do mundo.

Estamos diante de um filme muito interessante, bonito, com um final prazeroso e ao mesmo pedagógico, até um pouco cristão, não no sentido religioso da palavra, mas comportamental (pelo menos em conceito, já que sabemos que na prática a coisa é diferente). De vez em quando é bom apreciar um filme tão bem construído, tão bem direcionado e com uma transbordo de vontade e sentimento. Tudo aqui transborda, e isto não é ruim não, já que Weir controla esse emocional de forma precisa e competente. Pode até não ser o filme mais acessível do ano, pode até não ser o melhor filme (realmente não é), mas que filmes como este, sempre são bem-vindos, mesmo que para completar um domingo a tarde, ah isso são, ainda mais para alguém como eu que tenho uma apreciação bem clara e explícita para este tipo de filme.

(The Way Back de Peter Weir, EUA - 2011)

NOTA: 8,0

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

COMO TREINAR O SEU DRAGÃO


A Dreamworks que surgiu como a grande concorrente da Pixar no mundo das animações cinematográficas, vinha mal das pernas, e não emplacava um grande filme a bastante tempo. O  grande responsável por esta estagnação era o "efeito Shrek" que fazia (fez) com que o estúdio se utilizasse da sua "mina de ouro" até esgotá-la, o que fez com que a franquia Shrek, após o segundo que até legalzinho caísse em um ostracismo e uma falta de criatividade sem fim. Aliado a isso, vieram fracassos como a chatíssima continuação de Madagascar e a decepção Bee Movie. Nem mesmo Kung Fu Panda e Os Sem -Floresta que são até filmes interessantes conseguiram igualar a Pixar. Como se não bastasse a concorrente aliada a Disney ainda apelou e lançou Wall-E nesse meio. Assim sendo, desde Madagascar em 2005 que a Dreamworks não lançava algo realmente impressionante e cativante, mas como diriam os caras do Casseta & Planeta, "seus problemas acabaram", já que Como Treinar o Seu Dragão é um achado, além de ser o melhor filme Dreamworks desde Shrek (mesmo parecendo exagero para alguns). E olha que eu nem curto muito o Shrek, mas admito a sua importância e qualidade.

Como Treinar o Seu Dragão não é nem um pouco inovador, nem no roteiro e muito menos nas condições de animação, porém se utiliza tão bem das fórmulas comuns de animação e as eleva a um grau tão interessante, que ultrapassa isso, e transforma essa "mesmice" em qualidade. A animação é muito bem dosada, é engraçada quando necessário, bonita quando necessário, elétrica quando preciso, ou seja, é tudo muito bem feitinho e encaixado, nada soa exagerado e nem faltoso.

Os efeitos de animação são fantásticos e o uso das cores para a criação do ambiente é sensacional, fazendo com que tenhamos emoções impagáveis, principalmente nas cenas do dragão Banguela e seu companheiro Soluço unidos em voos rasantes e que nos levam a uma sensação de liberdade poucas vezes produzidas pelo cinema, principalmente nos filmes de animação, que corre um risco muito maior de soar "fake"

Os heróis, os vilões, as lições de moral, as mensagens para as crianças ( e para adultos também), tudo está ali, e o melhor, soa bem e combina com o filme. Soluço é um anti-herói clássico, cativante, abobalhado, mas que consegue exatamente devido a sua inocência perceber o que nenhum "brucutu" forte e respeitado na aldeia dos vikings onde se o roteiro se passa percebeu, que os dragões também podem ser bonzinhos, que depende de como você os trata. As analogias à vida real são claras, e podemos encontrar ainda várias outras mensagens de moral, que afetam tanto adultos quanto crianças, fazendo de Como Treinar o Seu Dragão um filme para toda a família.

Em suma, um ótimo filme, e que mostra ao mundo e à própria Dreamworks que "existe vida fora de Shrek" e que ousar um pouco as vezes é interessante e dá certo. Cheio de belas imagens, surpreendente e muito cativante tanto no geral como no quesito de seus personagens (o dragão Banquela é simplesmente um personagem incrível), Como Treinar o Seu Dragão é uma grata surpresa e que deve ser visto tanto por adultos quanto por crianças. Um achado!


NOTA: 9,0

domingo, 10 de outubro de 2010

FÚRIA DE TITÃS


 Ficha Técnica

Título Original:Clash of the Titans
Gênero:Épico
Duração:118 min
Ano De Lançamento:2010
Site Oficial:http://www.furiadetitas.com.br
Estúdio:Warner Bros. Pictures / Legendary Pictures | Thunder Road Film / The Zanuck Company
Distribuidora:Warner Bros. Pictures
Direção: Louis Leterrier
Roteiro:Travis Beacham, Phil Hay e Matt Manfredi, baseado em roteiro de Beverley Cross
Produção:Kevin De La Noy e Basil Iwanyk
Música:Stephen Coleman
Fotografia:Peter Menzies Jr.
Direção De Arte:Patricio M. Farrell e James Foster
Figurino:Lindy Hemming
Edição:David Freeman e Vincent Tabaillon
Efeitos especiais:CEG Media / Moving Picture Company / Neil Corbould Special Effects / The Visual Effects Company


Elenco

Sam Worthington (Perseus)
Ralph Fiennes (Hades)
Liam Neeson (Zeus)
Gemma Arterton (Io)
Danny Huston (Poseidon)
Izabella Miko (Athena)
Alexa Davalos (Andromeda)
Mads Mikkelsen (Draco)
Polly Walker (Cassiopéia)
Jason Flemyng (Acrisius)
Kaya Scodelario (Peshet)
Hans Matheson (Ixas)
Nathalie Cox (Artemis)
Tamer Hassan (Deus da Guerra)
Vincent Regan (Kepheus)
Luke Evans (Apollo)
William Houston (Ammon)
Ian Whyte (Xeique Sulieman)
Luke Treadaway (Prokopion)
Martin McCann (Pheadrus)
Nina Young (Hera)
Pete Postlethwaite
Liam Cunningham
Nicholas Hoult


Sinopse

Perseu (Sam Worthington) descobre que é o filho mortal de Zeus (Liam Neeson), mas recusa-se a aceitar tal condição. Contudo, para salvar a cidade de Argos da fúria dos deuses do olimpo e da vingança de seu tio Hades (Ralph Fiennes), ele vai ter que enfrentar uma perigosa jornada contra terríveis criaturas como a Medusa para salvar os simples mortais e a bela Andrômeda (Alexa Davalos) do sacrifício para o monstro Kraken



CRÍTICA


O mês de outubro tem sido um mês complicado para eu postar por aqui, pois estou bem atarefado, mas para não deixar tudo no vácuo decidi dedicar algumas linhas a esta refilmagem do cult homônimo de 1981. É claro que algumas coisas foram alteradas, além do fato de o antigo possuir muito mais charme e ser muito mais fiel à mitologia grega em si.

Fúria de Titãs é visivelmente um filme comercial e que possui a única intenção de ganhar rios de dinheiro nos cinemas, não se importando nem um pouco com a qualidade da história ou mesmo a fidelidade ao tema que trata. A fantasia está em alta no cinema, seja ela com vampiros, lobisomens ou o que seja, tudo dá dinheiro e atrai fãs desavisados para enriquecer os cofres dos estúdios. Só não consigo entender quem foi o "inteligente" que enfiou o Kraken na mitologia grega, já que qualquer pessoa que tenha um pouco mais de conhecimento sobre o assunto, ou que tenha assistido à Saga de Poseidon dos Cavaleiros do Zodíaco  (hehehehe), sabe que o Kraken é um monstro da mitologia nórdica.

Tirando este e outros erros perdidos pelo meio, ainda não conseguimos encontrar um roteiro consistente, sendo que é nítida a intenção de tapar os buracos do mesmo, com efeitos especiais gigantescos e essa parafernália de 3D que faz com que qualquer coisinha tenha que explodir na tela , o que venhamos e convenhamos é um saco.

A direção, assinada por Louis Leterrier, que eu particularmente desconheço, é comum e sem sal, que se limita a dar ênfase às maravilhas da tecnologia e se esquece de que em alguns momentos uma tocada mais leve ou um movimento mais criativo também fazem parte de um grande show, se aliam a um trabalho veloz e bruto de edição, que faz com que o filme tenha uma velocidade absurda e atropele tudo o que vê pela frente, incluindo o próprio roteiro. Para não crucificarmos tudo, confesso que achei bem legal a representação feita do Olimpo e o Pégaso que ficou excelente.

O elenco tem bons nomes, e é daí que sai algo que te faz respirar e ver que nem tudo está perdido, já que Fiennes e Neeson (no mesmo filme novamente, nos fazendo lembrar do fenomenal A Lista de Schindler), nos papéis de Hades e Zeus respectivamente, conseguem criar bons momentos e mesmo longe de toda a capacidade que os dois possuem, colocam um pouco de dignidade na fita. Pete Postlethwaite faz uma pequena porém boa ponta como o pai adotivo de Perseu. Wortinghton (o mesmo de Avatar), está totalmente desconfortável como Perseu e por que não dizer perdido em vários momentos, mostrando uma fragilidade que apenas os atores medianos e fracos possuem, como se não bastasse, ainda preciso descobrir quem inventou que essa menina Gemma Arterton sabe atuar, já que assim como em O Princípe da Pérsia, sua apatia chega a ser contagiante.

Um blockbuster que possui a intenção clara de impactar e cativar um público menos exigente quando o assunto é cinema de qualidade. A verdade é que Fúria de Titãs está longe de ser o que seu progenitor foi, e mais longe ainda de ser um bom filme. Com vários erros e uma temática imprecisa e desconexa, o filme só não é uma perda total, pela presença de alguns nomes que o salvaram, mesmo assim é muito pouco para salvar esta fracassada tentativa de representar a Mitologia Grega em todo o seu esplendor.


NOTA: 4,0

domingo, 13 de junho de 2010

PRÍNCIPE DA PÉRSIA - AS AREIAS DO TEMPO


Ficha Técnica

Título Original:Prince of Persia: The Sands of Time
Gênero:Aventura
Duração:116 min
Ano De Lançamento:2010
Site Oficial:http://www.principedapersia.com.br
Estúdio:Walt Disney Pictures / Jerry Bruckheimer Films
Distribuidora:Walt Disney Studios Motion Pictures / Buena Vista International
Direção: Mike Newell
Roteiro:Doug Miro e Carlo Bernard, baseado em história de Jordan Mechner e Boaz Yakin e em jogo de videogame criado por Jordan Mechner
Produção:Jerry Bruckheimer
Música:Harry Gregson-Williams
Fotografia:John Seale
Direção De Arte:Maria-Teresa Barbasso, Robert Cowper, David Doran, Gary Freeman, Marc Homes, Jonathan McKinstry, Stuart Rose, Alessandro Santucci, Tino Schaedler, Mark Swain, Luca Tranchino, Marco Trentini e Su Whitaker
Figurino:Penny Rose
Edição:Mick Audsley e Martin Walsh
Efeitos Especiais:Double Negative / Cinesite / FB-FX / Lipsync Post / Moving Picture Company / Nvizible / Plowman Craven & Associates


Elenco

Jake Gyllenhaal (Príncipe Dastan)
Gemma Arterton (Tamina)
Ben Kingsley (Nizam)
Alfred Molina (Sheik Amar)
Gísli Örn Garoarsson (Vizir)
Daud Shah (Asoka)
Stephen A. Pope (Roham)
Miranda Booth (Avrat)
Ronald Pickup (Rei Sharaman)
Charlie Banks (Rei Sharaman - jovem)
Selva Rasalingam (Capitão persa)
Toby Kebbell
Reece Ritchie
Richard Coyle
Ambika Jois


Sinopse

Pérsia, Idade Média. Dastan (Jake Gyllenhaal) é um jovem príncipe, que auxilia o irmão a conquistar uma cidade. Lá ele encontra uma estranha e bela adaga, a qual decide guardar. Tamina (Gemma Arterton), a princesa local, percebe que Dastan detém a adaga e tenta se aproximar dele para recuperá-la. A adaga possui o poder de fazer seu portador viajar no tempo, quando dentro dela há areia mágica. Só que Dastan é vítima de um golpe. Ele é o encarregado de entregar ao pai, o rei Sharaman (Ronald Pickup), uma túnica envenenada, que o mata. Perseguido como se fosse um assassino, ele precisa agora provar sua inocência e impedir que a adaga caia em mãos erradas.



CRÍTICA


Blockbuster baseado em jogo de videogame que ficou famoso a partir dos anos 80 e que agora virou filme através das mãos de Jerry Bruckheimer e dos estúdios Disney. Como um bom blockbuster estadunidense, a intenção mor de Príncipe Da Pérsia é atingir o público e gerar milhões de dólares, e isso fica bem explícito ao longo de todo o filme.

A fita é um apanhado de detalhes e interferências de filmes anteriores que, se não são do mesmo gênero que este, em si, por assim dizer, pelo menos se aproxima do mesmo em alguns momentos. Dessa maneira, temos um pouco de Matrix nas cenas de ação, um pouco de O Senhor Dos Anéis nas posições de câmera e na construção de grupos de batalha ou coisas assim, e um pouco de Piratas do Caribe, tanto na produção (afinal, o produtor é o mesmo), como na disposição do roteiro e nos elementos de construção dos personagens.

Quem me conhece sabe muito bem que videogame não é o meu forte, mas pelo pouco que conheço do jogo tratado em questão, o ponto alto da fita se torna a  reprodução de uma forma até bem fiel, dos elementos do jogo, o que deve agradar e muito os fãs deste último. A temática é a mesma, as armas, e até mesmo os lugares e demonstrações, sejam eles de lutas, ou apenas de movimentos das mesmas, se parecem bastante.

Entretanto, como cinema em si, o filme quase não se salva em nada. Com exceção de uma boa fotografia e cenografia, um figurino caprichado, efeitos especiais ótimos e uma mixagem de som vibrante, Príncipe Da Pérsia não consegue vencer as barreiras do blockbuster comum, e não se destaca em nada a não ser nas partes técnicas, ou seja, onde o dinheiro é mais necessário que o talento.

Roteiristicamente falando, Príncipe Da Pérsia é recheado de baboseiras, romantismos exagerados, piadas sem graça e reviravoltas bobas e comuns. Em muitos momentos, temos a sensação de que a coisa não anda já em outros momentos tudo voa, sempre se intercalando nesse meio, uma ou outra briga ou coisa assim, afinal, é um filme de ação e mais importante que a história ou a qualidade do argumento, está o fato de que tem que haver luta, não importa como, nem quando e nem como a mesma se justifique. Como o filme é baseado em um jogo de videogame, não é de se esperar qualquer fidelidade com os fatos históricos ou coisa assim, dessa maneira, seria covardia qualquer comentário do gênero, fazendo com que passemos então adiante.

O elenco é um problema bem sério da fita. Jake Gyllenhaal não corresponde muito bem, e a construção de seu personagem em vários momentos destoa do caráter, ou até mesmo do amadurecimento proposto por sua interpretação, já que não se sabe ao certo sua idade, por que como adulto ele é um ótimo jovem, e como jovem ele é um amadurecido adulto, o que acaba gerando esta dúvida em nossa mente. Gemma Arterton é um nada, e consegue piorar ao longo da fita, gerando as piores e mais chatas situações do filme. O elenco secundário também não responde bem, e até mesmo o ótimo Ben Kingsley está burocrático e por que não dizer seco demais; para não afundarmos tudo, se salva Alfred Molina, que está sensacional na pele de Sheik Amar, e é responsabilidade do mesmo, as boas piadas e momentos do filme.

Apesar de uma interessante e plausível virada no final, que funciona muito bem, Príncipe Da Pérsia é um filme de médio para fraco, que por sua vez variará de acordo com o seu humor ao ver este filme. Se você é fã do videogame ou é fã de filmes cujo principal ponto é lutas e mais lutas, talvez este seja uma boa pedida, agora se você procura algo mais bem feito, bem elaborado e por que não dizer mais inteligente, pule fora, pois Príncipe Da Pérsia é um filme para render milhões de dólares e não milhões de dúvidas ou pensamentos acerca do mesmo.


NOTA: 5,0

segunda-feira, 15 de março de 2010

CAMELOT



Ficha Técnica

Título Original:Camelot
Gênero:Musical
Duração:180 min
Ano De Lançamento:1967
Estúdio:Warner Bros./Seven Arts
Distribuidora:Warner Bros./Seven Arts
Direção: Joshua Logan
Roteiro:Alan Jay Lerner, baseado em livro de T.H. White e em peça teatral de Alan Jay Lerner
Produção:Jack L. Warner
Música:Frederick Loewe
Fotografia:Richard H. Kline
Direção De Arte:Edward Carrere
Figurino:John Truscott
Edição:Folmar Blangsted


Elenco

Richard Harris (Rei Arthur)
Vanessa Redgrave (Guenevere)
Franco Nero (Lancelot Du Lac)
David Hemmings (Mordred)
Lionel Jeffries (Rei Pellinore)
Laurence Naismith (Merlin)
Pierre Olaf (Dap)
Estelle Winwood (Lady Clarinda)
Gary Marshal (Sir Lionel)
Anthony Rogers (Sir Dinadan)
Peter Bromilow (Sir Sagramore)
Sue Casey (Lady Sybil)
Gary Marsh (Tom de Warwick)
Nicolas Beauvy (Arthur - criança)


Sinopse

A lenda do rei Arthur (Richard Harris) e seu torturante caso de amor com a rainha Guenevere (Vanessa Redgrave). Uma floresta encantada próxima a Camelot foi o lugar onde Arthur primeiramente encontrou Guenevere, que no início não tinha noção que estava falando com o rei e se referia a ele de modo pouco respeitoso. Após o casamento deles, a felicidade de Arthur em razão do seu matrimônio com a adorável Guenevere o fez criar os Cavaleiros da Távola Redonda, uma alta ordem de cavalheirismo no qual todos os cavaleiros eram imbuídos por um desejo de ajudar os oprimidos. Tal é a fama dos Cavaleiros da Távola Redonda que um cavaleiro francês, Lancelot Du Lac (Franco Nero), buscou se unir a esta ordem e logo se tornou o mais célebre de todos os cavaleiros. Guenevere, indiferente a princípio, se apaixonou por Lancelot. Embora ambos tivessem um amor profundo por Arthur, a paixão deles foi mais forte e começaram um ilícito caso de amor. Arthur ignorava os rumores que circulavam ao redor dele, mas quando Mordred (David Hemmings), seu filho ilegítimo, chega a Camelot, ele expôs Lancelot e Guenevere, provocando uma sucessão de conflitos no reino.



CRÍTICA


Bom, nem só de filmes atuais vive o cinema e muito menos este blog a que me propus criar; sendo assim, após duas resnehas envolvendo filmes que entraram no circuito a pouco tempo, darei um salto e retornarei para os anos 60, mais precisamente ao ano de 1.967, para comentar acerca de um filme pouco conhecido, e que tem por característica mais forte a capacidade de transformar uma das maiores histórias da humanidade em um musical complexo e bem conduzido.

Falamos aqui de Camelot, e só pelo título já dá pra imaginar mais ou menos sobre o que o filme se trata, e é isso mesmo, só que em forma de musical. A ousadia realmente é interessante, já que criar musicalidades para conflitos tão complexos e cheios de força como os de Arthur, Lancelot e Guinevere e de pois acrescentando a chegada de Mordred que é para muitos a figura mais chocante e interessante de toda a saga arthuriana, é realmente algo digno de respeito.

Além da ousadia, o filme se baseia em boas canções e em momentos fortes para agarrar o público, tendo como destaque a sensacional cena em que Arthur (bem interpretado por Richard Harris), descobre o caso entre Lancelot e Guinevere e se vê desconsolado com tudo o que o cerca. O bom trabalho artístico também contribui de forma interessante com a fita, agregando um bom trabalho de maquiagem e principalmente um impecável e preciso figurino, que dentro das limitações da época, consegue se encaixar de forma muito bonita e correta no contexto da fita.

A pergunta que devemos fazer, é o que aconteceu para que esta fita praticamente caísse no esquecimento? É difícil responder a esta pergunta, mas acredito que o fato de encontrarmos um musical contando histórias que costuma-se ver em algo maior como épicos gigantescos com cenas de ação e aventura de tirar o fôlego, fez com que o filme não despertasse tanto interesse assim, já que ele busca um caminho mais singelo e menos bruto por assim dizer para contar as lendas arthurianas. Outro problema é que a fita não conseguiu resistir ao tempo, já que com as inovações tecnológicas e artísticas, os filmes antigos que não se tornaram clássicos absolutos perderam espaço e ganharam até um caráter piegas, o que é na maioria das vezes uma grande e cruel injustiça, alie isso ao fato de muita gente não conseguir encarar 3 horas de filme e teremos alguns dos problemas da fita.

Camelot acaba por se sair um passatempo interessante e por que não dizer um bom filme, logicamente que não tem todo o charme de clássicos imortais seja no gênero dos épicos como Ben-Hur ou El Cid, ou mesmo no gênero dos musicais como Amor Sublime Amor ou Cantando Na Chuva, mas se sai bem e pode de forma até interessante fazer parte da galeria de filmes vistos na vida de uma pessoa. Boas canções, tomadas interessantes, boas atuações e com todo aquele feeling de filme antigo que só os verdadeiros cinéfilos sabem apreciar. O filme é velho e não esconde isso de ninguém, se isso joga a favor ou contra a fita, cabe ao espectador decidir, e isto é um assunto que é pessoal demais para eu enfiar o meu bico.


NOTA: 6,5

sábado, 13 de junho de 2009

A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE CRISTO

Ficha Técnica

Título Original: The Last Temptation of Christ
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 163 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1988
Estúdio: Universal Pictures / Cineplex Odeon Films
Distribuição: Universal Pictures
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Paul Schrader, baseado em livro de Nikos Kazantzakis
Produção: Barbara De Fina
Música: Peter Gabriel
Fotografia: Michael Ballhaus
Desenho de Produção: John Beard
Direção de Arte: Andrew Sanders
Figurino: Jean-Pierre Delifer
Edição: Thelma Schoonmaker
Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic


Elenco

Willem Dafoe (Jesus Cristo)
Harvey Keitel (Judas)
Verna Bloom (Maria)
Barbara Hershey (Maria Madalena)
Andre Gregory (João Batista)
Peggy Gormley (Martha)
Randy Danson (Mary)
Tomas Arana (Lázaro)
Paul Herman (Filipe)
Leo Burmester (Nataniel)
Barry Miller (Jerônimo)
Victor Argo (Pedro)
Michael Been (João)
John Lurie (José)
Gary Basaraba (André)
Irvin Kershner (Zebedee)
Harry Dean Stanton (Saul / Paul)
David Bowie (Pôncius Pilatos)
Paul Greco (Zealot)
Steve Shill (Centurião)
Illeana Douglas


Sinopse

Jesus (Willem Dafoe) é um carpinteiro que vive um grande dilema, pois é quem faz as cruzes com as quais os romanos crucificam seus oponentes. Resumindo, Jesus se sente como um judeu que mata judeus. Vivendo um terrível conflito interior ele decide ir para o deserto, mas antes pede perdão a Maria Madalena (Barbara Hershey), que se irrita com Jesus, pois não se comporta como uma prostituta e sim como uma mulher que quer sentir um homem ao seu lado. Ao retornar, Jesus volta convencido de que é o filho de Deus e logo salva Maria Madalena de ser apedrejada e morta. Então reúne doze discípulos à sua volta e prega o amor, mas seus ensinamentos são encarados como algo ameaçador, então é preso e condenado a morrer na cruz. Já crucificado, é tentado a imaginar como teria sido sua vida se fosse uma pessoa comum.


Premiações

- Recebeu uma indicação ao Oscar, na categoria de Melhor Diretor.
- Recebeu 2 indicações ao Globo de Ouro, nas categorias de Melhor Atriz Coadjuvante (Barbara Hershey) e Melhor Trilha Sonora.
- Recebeu uma indicação ao Framboesa de Ouro, na categoria de Pior Ator Coadjuvante (Harvey Keitel).



CRÍTICA


É o segundo filme de Martin Scorsese que aparece aqui no blog, e com certeza este é o mais atípico e polêmico de seus filmes. No primeiro adjetivo comentamos que ele se respalda no fato de que Scorsese não tem aqui todo aquele furor pela besta humana em si, mas apenas em segundo plano, além de mudar totalmente os pontos de vista de sua exploração, fazendo um filme extremamente particular. O segundo adjetivo pode ter sua força encontrada logo na leitura da sinopse acima, afinal, um filme que relata como teria sido a vida de Jesus se ele tivesse optado pelo "lado negro da força", com certeza não é muito bem visto em uma humanidade que maioritariamente abomina qualquer visão mais humana do nosso famoso filho do carpinteiro José.

O filme em si é realmente muito bom. O livro do grego Nikos Kazantzakis, que serve de base para o roteiro é preciso e fantástico e ganha um competente e carinhoso roteiro, filmado com a já constante maestria e genialidade de Scorsese, concretizado por uma envolvente trilha sonora, uma bela fotografia e uma maneira única e intrigante maneira de se contar e relatar a vida de um dos homens mais famosos da história da humanidade. Dafoe é um competente Jesus, entretanto é europeu demais para o papel quando falamos do âmbito físico, já que no artístico nada há do que reclamar, fazendo com que em alguns momentos tenhamos uma impressão de falsidade em sua performance.

A polêmica gira em torno dos momentos da fita , em que Scorsese vai ao ponto crítico do debate, e apresenta um Jesus única e exclusivamente humano, desprendendo-se totalmente do caráter "endeusador" que lhe é atribuído. Nada de palavras batidas, ou eventos que você já leu e viu centenas de vezes; encontramos aqui um Jesus que peca, que se rende aos desejos e sentimentos, que é fraco, que se machuca e que comete erros como qualquer um de nós. O Jesus-Deus abre espaço para a entrada do monstro humano, e é aí que mora o problema, e é aí que vemos um excelente filme ser duramente criticado e polemizado, simplesmente pelo seu caráter inovador e perspicaz de mostrar um história conhecida de todos e que faz parte da vida de milhares de pessoas de forma intensa.

A fita, ao contrário do que muita gente pensa, não é ateia, e se olharmos de forma bem bisbilhoteira pode se tentar afirmar que ela seria uma fita cristã; particularmente acredito que Scorcese não queria tomar partido, e levou ao cinema, as duas versões unidas em uma única história, mostrando como seria o cotidiano e as consequências da parte dessa história que não virou religião, e que consequentemente poucas pessoas pensam sobre, ou admitem que é uma possibilidade.

O filme fica na sessão Para Pensar Duas Vezes por motivos óbvios, ou seja, por motivos de acesso ao público, já que em nada perde no sentido artístico e técnico para vários filmes que estão na sessão logo acima. Entretanto, um filme que mexe com a crendice popular de forma tão forte e explícita, merece no mínimo um alerta para aqueles que pretendem assisti-lo, assim sendo, vale a dica, se você é um espectador que não possui lá muita fé, ou não possui nenhuma, ou um espectador que sabe diferenciar as coisas e sabe respeitar e analisar de forma consciente qualquer manobra de se contar uma história, pegue este filme e você estará de frente com um aperitivo e tanto. Agora, se você faz parte da outra turma, mais ortodoxa e que não aceita concepções diferentes ou tentativas de especulação "não-cristãs" sobre a vida de Jesus, passe longe, pois provavelmente esta fita lhe desagradará muito.


NOTA: 8,0

sexta-feira, 8 de maio de 2009

ALEXANDRE

Ficha Técnica

Título Original: Alexander
Gênero: Aventura
Tempo de Duração: 176 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2004
Site Oficial: www.alexandre-ofilme.com.br
Estúdio: Warner Bros. / Pacifica Film / Intermedia Films / IMF Pictures
Distribuição: Warner Bros.
Direção: Oliver Stone
Roteiro: Oliver Stone, Christopher Kyle e Laeta Kalogridis
Produção: Moritz Borman, Jon Kilik, Thomas Schühly, Iain Smith e Oliver Stone
Música: Vangelis
Fotografia: Rodrigo Prieto
Desenho de Produção: Jan Roelfs
Direção de Arte: Desmond Crowe, James Lewis, Kevin Phipps e Stuart Rose
Figurino: Jenny Beavan
Edição: Yann Hervé, Alex Marquez e Thomas J. Nordberg
Efeitos Especiais: BUF Compagnie / The Moving Picture Company


Elenco

Colin Farrell (Alexandre)
Jessie Kam (Alexandre - criança)
Connor Paolo (Alexandre - jovem)
Elliot Cowan (Ptolomeu)
Robert Earley (Ptolomeu - jovem)
Anthony Hopkins (Ptolomeu - velho)
Angelina Jolie (Olímpia)
Val Kilmer (Rei Felipe)
Christopher Plummer (Aristóteles)
Jared Leto (Hephaestion)
Patrick Carroll (Hephaestion - jovem)
Rosario Dawson (Roxane)
Féodor Atkine (Pai de Roxane)
Joseph Morgan (Philotas)
Ian Beattie (Antigonus)
Jonathan Rhys-Meyer (Cassandro)
Morgan Christopher Ferris (Cassandro - jovem)
Denis Conway (Nearchus)
Peter Williamson (Nearchus - jovem)
Neil Jackson (Perdiccas)
Aleczander Gordon (Perdiccas - jovem)
Garrett Lombard (Leonnatus)
Chris Aberdein (Polyperchon)
Rory McCann (Crateros)
Gary Stretch (Cleitus)
John Kavanagh (Parmenion)
Nick Dunning (Attalus)
Marie Meyer (Eurídice)
Fiona O'Shaughnessy (Enfermeira)
David Bedella (Escriba)


Sinopse

Junho de 323 A.C., Babilônia, Pérsia. Quando faltava um mês para completar 33 anos, morre precocemente Alexandre, o Grande (Colin Farrell), que tinha conquistado 90% do mundo conhecido. Alexandria, Egito, 40 anos depois. Ptolomeu (Anthony Hopkins), um general de Alexandre que o conhecia bem, narra para Cadmo, um escriba, que se tornou o guardião do corpo de Alexandre, que ali está embalsamado à moda egípcia (Ptolomeu se tornou faraó, pois ficou com o Egito quando o império foi dividido). Tristemente Ptolomeu frisa que as grandes vitórias dos exércitos de Alexandre foram esquecidas e diz para Cadmo que Alexandre era um deus, ou a pessoa mais perto disso, que já vira. Apesar de ser chamado de tirano, Ptolomeu diz que só os fortes governam, mas Alexandre era mais, pois mudou o mundo. Antes dele havia tribos e depois dele tudo passou a ser possível. Surgiu a idéia que o mundo poderia ser governado por um só rei. Era um império não de terras e de ouro, mas da mente, uma civilização helênica aberta a todos. No oriente, o vasto império persa dominava quase todo o mundo conhecido. No ocidente, as outroras cidades-estado gregas, Tebas, Atenas, Esparta, haviam perdido o orgulho. Os reis persas subornavam os gregos com ouro, para usá-los como mercenários. O pai de Alexandre, Felipe, o Caolho (Val Kilmer), começou a mudar tudo isso, unindo tribos de pastores ignorantes das terras altas e baixas. Com sua coragem e seu sangue criou um exército profissional, que subjugou os traiçoeiros gregos. Então voltou-se para a Pérsia, onde se dizia que o rei Dario, em seu trono na Babilônia, temia Felipe. Foi dessa viril guerreira que nasceu Alexandre, em Pela, Macedônia. A mãe, a rainha Olímpia (Angelina Jolie), era chamada por alguns de feiticeira e diziam que Alexandre era filho de Dionísio ou Zeus. Mas não havia um homem na Macedônia que, vendo pai e filho juntos, não tivesse dúvidas, mas nenhum poderia imaginar o fabuloso destino de Alexandre.


Premiações

- Recebeu 6 indicações ao Framboesa de Ouro, nas seguintes categorias: Pior Filme, Pior Diretor, Pior Ator (Colin Farrell), Pior Atriz (Angelina Jolie), Pior Ator Coadjuvante (Val Kilmer) e Pior Roteiro.



CRÍTICA


176 minutos de uma infelicidade que parecia não ser possível vindo de um diretor tão interessante quanto Oliver Stone. Um lixo sem fim, um erro descomunal, uma tragédia quase que grega, isso para não apelarmos para adjetivos negativos mais bruscos que povoam nossa mente quando esta porcaria chega aos seus créditos finais e ficamos perplexos com o que foi feito com a história de um dos maiores homens da história da humanidade.

Não dá pra entender o por que Oliver Stone buscou um caminho como o deste filme. Alexandre, foi um dos maiores generais da história e se resolve fazer um filme sobre o mesmo, dando ênfase a um caráter homossexual, e o modernizando, gerando um anacronismo sem fim. Qualquer pessoa que possua o mínimo de conhecimento histórico, não pode aceitar os erros que este filme comete, já que compreenderá como funcionava as questões educadoras da época. Não é questão de querer justificar uma homossexualidade que Alexandre realmente possuía, mas é incrível, como as coisas podem ser deturpadas.

Stone está ali, exagerado e tremulante como sempre, porém incompetente como nunca antes visto, nem parece o mesmo diretor que nos brindou com um filme como Platoon, ou seja, o diretor está totalmente irreconhecível. O roteiro do próprio Stone e agregados não é digno nem de comentários, uma das piores coisas escritas por alguém de Hollywood ou de qualquer lugar que se faça cinema; falso, mentiroso e sem fundamentação, seja ela histórica ou literária, além de resumir a um simples homossexual medroso e covarde aquele que é conhecido ao longo do tempo exatamente por qualidades contrárias.

Os cenários são bem produzidos, a direção de arte busca um tom de envelhecimento até interessante e o figurino é bem feito, mas isso são pequenos detalhes perante toda crueldade e porquice desta fita. O elenco secundário fica ali parado, só esperando Stone não fazer nada, logo, eles também não fazem nada, já o elenco principal...

Stone errou em tudo, assim sendo, tinha que escolher atores que condizessem com esse erro correto? Isso mesmo. O que esperar de atores como Colin Farrell, Angelina Jolie, Jared Leto e Val Kilmer, que já conseguem estragar filmes que possuem até bons argumentos, em uma fita como este? Os dois primeiros acabam com qualquer tentativa de melhora da película, e mostram por que são dois dos mais fracos representantes de sua geração, os dois últimos são como pedras, não possuem identidade nem sentimento nenhum. Kilmer já é um ator em fim de carreira, agora Leto se quiser ter um nome um pouco mais avançado tem que melhorar e muito.

Rosario Dawson como Roxane não está de todo mal, assim como os veteranos Hopkins e Plummer, mas é algo muito abaixo de todo o talento presente nesses atores. O filme é ruim demais para se colocar um nome de prestígio como o que estes atores possuem em sua capa.

Com certeza um dos piores filmes que já passou pelas minhas mãos, muito ruim mesmo, e que não vale a pena nem como curiosidade, afinal são quase três horas de duração. Alexandre ainda é um personagem que merece um filme decente, por que já passou da hora de elevarmos o nível das intenções de diretores e atores que se propuseram a fazer um filme do gigante aprendiz do grande Aristóteles.

Stone ainda é um diretor de prestígio, e por que não dizer, um dos melhores diretores vivos, apesar de todos os exageros e de um deslize como este. Mesmo assim, não existe outra forma de falar sobre um filme como este, e me desculpe, mas se você conseguir gostar disto aqui, ou não sabe o que é cinema, ou nunca prestou atenção nas aulas de história quando o assunto era Alexandre. Passe bem longe, pois o adjetivo ruim já não satisfaz mais para descrever tamanha perversidade contra o cinema e contra um dos maiores nomes da história da humanidade.


NOTA: 1,5

sábado, 28 de março de 2009

TRISTÃO & ISOLDA


Ficha Técnica

Título Original: Tristan + Isolde
Gênero: Romance
Tempo de Duração: 125 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2006
Site Oficial: www.tristaoeisolda.com.br
Estúdio: Scott Free Productions / Epsilon Motion Pictures / Word 2000 Entertainment / QI Quality International GmbH & Co. KG / ApolloProMedia GmbH & Co. 1 Filmproduktion KG / Franchise Pictures / Stillking Films
Distribuição: 20th Century Fox Film Corporation / Warner Bros. / Europa Filmes
Direção: Kevin Reynolds
Roteiro: Dean Georgaris
Produção: Moshe Diamant Liza Ellzey, Giannina Facio e Elie Samaha
Música: Anne Dudley
Fotografia: Arthur Reinhart
Desenho de Produção: Mark Geraghty
Figurino: Maurizio Millenotti
Edição: Peter Boyle
Efeitos Especiais: Cine Image Film Opticals Ltd.


Elenco

James Franco (Tristão)
Sophia Myles (Isolda)
Rufus Sewell (Lorde Marke)
David O'Hara (Rei Donnchadh)
Mark Strong (Wictred)
Henry Cavill (Melot)
Bronagh Gallagher (Bragnae)
Ronan Vibert (Bodkin)
Lucy Russell (Edyth)
JB Blanc (Leon)
Graham Mullins (Morholt)
Leo Gregory (Simon)
Dexter Fletcher (Orick)
Richard Dillane (Aragon)
Hans Martin Stier (Kurseval)
Jamie King (Anwick)
Wolfgang Müller (Rothgar)
Cheyenne Rushing (Lady Serafine)
Barbora Kodetová (Lady Marke)
Thomas Sangster (Tristão - jovem)
Isobel Scott Moynihan (Isolda - jovem)
Myles Taylor (Melot - jovem)
Jack Montgomery (Simon - jovem)


Sinopse

Na Europa da Idade Média as tribos lutam pelo poder, logo após a queda do império romano. Tristão (James Franco) teve toda sua família assassinada por conspiradores, que tinham o objetivo de impedir os planos de seu pai para unificar a Inglaterra. Adotado pelo tio, Lorde Marke (Rufus Sewell), Tristão cresce e se torna seu maior guerreiro. Imbuído do desejo em seguir os planos do pai, ele é ferido em combate e considerado morto, sendo jogado ao mar em um enterro viking. Porém é resgatado por Isolda (Sophia Myles), por quem se apaixona. O casal troca juras de amor, mas não revela seus nomes. Após se recuperar ele retorna à sua terra, sem saber que seu amor é a filha de Donnchadh (David O'Hara), o rei da Irlanda e também seu principal inimigo. Mas o destino fará com que se encontrem novamente, quando Donnchadh organiza um campeonato de lutas até a morte e promete como prêmio a mão de sua filha.



CRÍTICA


Me lembro quando este épico entrou em cartaz e da expectativa que se criou por um trabalho brilhante; todavia, é interessante perceber como alguns filmes ganham força quando caem nas "garras" do público e outros perdem, e esta fita se encaixa no segundo argumento. Isto não quer dizer em nenhum momento que o filme é ruim, mas a verdade é que se levarmos em consideração toda a força e beleza da lenda de Tristão & Isolda, o filme deixa um pouco a desejar.

O diretor Kevin Reynolds não consegue repetir aqui a sensibilidade e malícia que tornaram um desacreditado O Conde De Monte Cristo em um dos bem cultuados filmes dos anos 2.000, e isso se deve a alguns pontos bem claros ao longo do filme. O argumento peca pelo excesso de dramaticidade; tudo bem , o filme é baseado em uma tragédia, mas James Franco não precisava ficar com cara de quem vai chorar o filme todo. Desse modo, Reynolds acaba apelando para dois centros, em que um funciona bem e outro já não se sai lá essas coisas, que são a direção de arte aliada a cenários, figurinos e por que não efeitos especiais, que seguram o filme, enquanto que o elenco não responde tão bem.

Além de um Franco excessivamente dramático, temos mais uma vez, em mais um épico, a presença (?) totalmente descartável de Rufus Sewell, além de uma Sophia Myles que se apóia muito mais em sua beleza do que um talento que ela pode chegar a ter um dia e de um elenco secundário que em nenhum momento se que tenta alterar o curso das atuações da fita. A trupê de atores reflete o que já foi dito acima, qualquer um que leu a história de Tristão & Isolda sabe que há algo exagerado ali e que parece tentar captar o público. Bom, não deu certo. A verdade é que o público acabou indo ao cinema para ver uma aventura com toques de romance e encontrou um drama romântico em que as cenas de aventura se perdem, parecem deslocadas e não convencem a ninguém.

O filme se encontra na sessão para pensar duas vezes e não na para passar longe, por dois motivos: primeiramente pela parte artística e técnica, quando nos referimos a ótima direção de arte, ao bem composto e fiel figurino, a maquiagem precisa e os efeitos bem encaixados, que ao contrário do roteiro não exagera, e cria um clima bem legal para o filme. O segundo ponto é a coragem que estes homens tiveram para adaptar (mesmo que com várias falhas), uma das mais belas (e desconhecidas , pelo menos aqui no Brasil) lendas da mitologia européia. O filme conseguiu algo muito bom, já que várias pessoas me disseram que após ver o filme, sentiram vontade e leram o livro, tornando-o mais acessível e abrindo portas para mitos não tão clássicos e que fogem do panteão greco-romano.

O filme é um passatempo interessante, muito longe de ser um clássico e até mesmo um pouco longe de ser um ótimo filme, entretanto taxá-lo como um filme ruim seria um pouco de exagero, já que a fita peca mais na parte humana, e se recupera um pouco na parte técnica e principalmente na artística. Logicamente que a lenda escrita é muito melhor, mas só o fato da película nos inquietar o suficiente para querermos ler o livro, já faz com que ela ganhe alguns pontos, e conquiste seu lugar entre os filmes para se pensar duas vezes antes de ver.


NOTA: 6,0

quinta-feira, 5 de março de 2009

TRÓIA


Ficha Técnica

Título Original: Troy
Gênero: Aventura
Tempo de Duração: 162 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2004
Site Oficial: http://troymovie.warnerbros.com/
Estúdio: Warner Bros. / Village Roadshow Pictures / Plan B Films / Radiant Productions
Distribuição: Warner Bros.
Direção: Wolfgang Petersen
Roteiro: David Benioff, baseado em poema de Homero
Produção: Gail Katz, Wolfgang Petersen, Diana Rathbun e Colin Wilson
Música: James Horner
Fotografia: Roger Pratt
Desenho de Produção: Nigel Phelps
Direção de Arte: Julian Ashby, Jon Billington, Andy Nicholson e Adam O'Neill
Edição: Peter HonessEfeitos Especiais: Cinesite Ltd. / Framestore CFC / Lola / The Moving Picture Company


Elenco

Brad Pitt (Aquiles)
Eric Bana (Hector)
Orlando Bloom (Paris)
Diane Kruger (Helena)
Sean Bean (Odysseus)
Brian Cox (Agamenon)
Peter O'Toole (Priam)
Brendan Gleeson (Menelaus)
Saffron Burrows (Andromache)
Rose Byrne (Briseis)
Julie Christie (Thetis)
Garreth Hedlund (Patroclus)
Vincent Regan (Eudorus)
James Cosmo (General Glaucus)


Sinopse

Em 1193 A.C., Paris (Orlando Bloom) é um príncipe que provoca uma guerra da Messência contra Tróia, ao afastar Helena (Diane Kruger) de seu marido, Menelaus (Brendan Gleeson). Tem início então uma sangrenta batalha, que dura por mais de uma década. A esperança do Priam (Peter O'Toole), rei de Tróia, em vencer a guerra está nas mãos de Aquiles (Brad Pitt), o maior herói da Grécia, e seu filho Hector (Eric Bana).


Premiações

- Recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Figurino.
- Recebeu 2 indicações ao MTV Movie Awards, nas seguintes categorias: Melhor Ator (Brad Pitt) e Melhor Luta (Brad Pitt e Eric Bana).



CRÍTICA


Toda vez que eu penso no que Tróia poderia ter sido e logo em seguida penso no que ele realmente é, tenho uma das maiores decepções da parte da minha vida que dedico à minha paixão pela sétima arte. É triste ver um projeto que tinha tudo para ser um clássico se tornar um lixo tão grande, e ao mesmo chega a ser revoltante a incompetência das pessoas envolvidas em tal blasfêmia contra a cultura mundial. Em alguns momentos dá vontade de perguntar o que Homero fez de mal para os caras que fizeram esse filme. Descarrego de sentimentos a parte, e partindo para a análise do filme em si; temos uma mancada atrás da outra. Primeiramente o filme não deveria se chamar Tróia e sim Brad Pitt; já que a câmera não o deixa por um minuto, o que faz com que o filme fique ainda pior, levando-se em conta a já habitual fraqueza que Pitt possui como ator.

Se lembrarmos que Wolfgang Petersen já nos brindou com filmes como O Barco, um verdadeiro clássico do cinema, a coisa fica ainda pior. Cometendo erros e manias de iniciantes, Petersen não apenas esbarra nos clichês, mas ele os procura, sendo assim, o filme tem tudo o que as TV´s querem em um filme para dar audiência: lutas sem sentido, roteiro fácil, atores bonitões e que possuem nome.

Como se não bastasse a horrível direção de Petersen, o assassinato de uma das maiores obras da literatura mundial encontra seu grau máximo no roteiro sofrível, que é uma afronta a Homero; já que a última coisa que o roteiro tem é semelhança com a obra original de Homero. Eu não li a versão clássica da Ilíada, aquela com versos e talz; mas qualquer pessoa que tenha, assim como eu, lido aquela versão resumida e em prosa e tenha o menor conhecimento da história, consegue perceber o quão fraco foi essa tentativa de adaptação.

Acompanhando tudo isso, ainda temos aqui a união de dois dos mais fracos atores que Hollywood produziu e consagrou (só não se sabe o porquê) nos últimos tempos. Brad Pitt e Orlando Bloom se encaixam direitinho no filme, já que se equiparam em falta de qualidade; mas mesmo assim eles não precisavam ter exagerado tanto, uma coisa é uma interpretação ruim, a outra é o que eles fizeram nesse filme. Não dá pra entender o que dois atores tão ruins quanto estes dois seres fazem no panteão cinematográfico estado-unidense; com certeza se aquelas menininhas que assistem a filmes só pra ver o carinha bonitinho não existissem, esses caras estariam bem longe das nossas telas (o que seria algo realmente bom), mas enquanto isso não acontece, coisas como esta que alguns insistem em chamar de filme são produzidas.

Totalmente comercial; extremamente comercial ao ponto de irritar, é um filme que está claramente pouco se lixando para a crítica, já que seu alvo é o público, só que esse público passa, mas as críticas transformam os filmes em clássicos, coisa que este não é, então para a felicidade geral da nação, em alguns anos, poucos se lembrarão do tormento que este filme lhes causou, e menos pessoas ainda se lembrarão que um dia algo ruim como Tróia foi feito.

O filme erra em tudo, e para não dizer que a película em questão não se salva em nada, o esforçado Eric Bana como Heitor acaba não se saindo mal, e vira um pequenino oásis no meio de um deserto sem fim. Nem mesmo a presença de um gigante do cinema como O`Toole consegue diminuir o desastre. Um filme cruel para a carreira de Petersen, normal para as carreiras de Pitt e Bloom e perturbador para o nosso falecido gênio Homero, que deve chorar e se remoer na cova toda vez que alguém comete o crime de colocar este filme para rodar. Passe longe, mas muito longe, fique dele a mesma distância que ele ficou de ser um bom filme.



NOTA: 2,0