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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

OS 10 MELHORES FILMES DE 2011

Sem rodeios, vamos aos meus filmes favoritos de 2011

10 - O MÁGICO (L´illusionniste - França/Reino Unido)


Em um ano onde os grandes estúdios de animação derraparam em sequencias e não conseguiram o mesmo resultado de anos anteriores, O Mágico surge como o mais interessante trabalho produzido pelo gênero. Mesmo voltado para um público mais adulto, a obra do diretor francês Sylvain Chomet esbanja maestria, garantindo um lugar merecido entre os melhores do ano.


09 - INVERNO DA ALMA (Winter´s Bone - EUA)


Com um enredo tão poderoso quanto duro, Inverno da Alma se mostrou um dos mais interessantes trabalhos de 2011. Nosso nono colocado une um grande trabalho artístico, com uma boa dose de originalidade e atuações muito fortes e consistentes. Com certeza um dos grandes momentos do cinema em 2011.


08 - HOMENS E DEUSES (Des Hommes Et Des Dieux - França)


Um grande filme. Homens e Deuses é um daqueles casos raros que consegue fazer o espectador flutuar entre emoções fortíssimas tanto alegres quanto tristes ao longo de sua execução. De uma beleza espiritual e uma singeleza acima da média, o filme do francês Xavier Beauvious é um dos grandes prazeres cinematográficos do ano.


07 - O GAROTO DA BICICLETA (Le Gamin Au Vélo - França)


Ao mostrar como a infância pode ser uma fase dura e sofredora; os irmãos Dardenne constroem um filme belíssimo, mesmo que excessivamente triste, realista e depressivo em alguns momentos.


06 - TIO BOONMEE - QUE PODE RECORDAR SUAS VIDAS PASSADAS (Loong Boonmee Raleuk Chat - Alemanha/Espanha/França/Reino Unido/Tailândia)


O mais belo e preciso exercício de paciência que o cinema produziu nos últimos tempos. Com imagens belíssimas e uma linguagem cinematográfica extremamente original, o diretor tailandês Apichatpong Weerasethakul constrói um filme de caráter extremamente onírico, usando e abusando de uma técnica extremamente apurada e de um encanto lírico descomunal.


05 - CISNE NEGRO (Black Swan - EUA)


Darren Aronofsky não dá ponto sem nó, e constrói em Cisne Negro um cruel relato sobre a busca pela perfeição. O que inicialmente parece trilhar os caminhos do drama se transforma em um suspense com toques de horror e goticismo, em uma união poucas vezes vista anteriormente. Pela ousadia e originalidade, nosso quinto lugar vai para esta fantástica obra.


04 - A ÁRVORE DA VIDA (The Tree Of Life - EUA)


A viagem poética e artística do recluso diretor Terrence Malick é uma das mais belas e profundas incursões da vida humana através das técnicas cinematográficas. Dono de um elemento metafórico e de um simbolismo gigantesco, A Árvore da Vida dividiu opiniões. Contudo, acredito piamente que tal divisão aconteceu muito mais pela falta de capacidade interpretativa de muitos do que por má qualidade da fita. Quarto posto preenchido.


03 - MELANCOLIA (Melancholia - Alemanha/Dinamarca/França/Suécia)


O mais novo filme do polêmico diretor dinamarquês Lars Von Trier é um espetáculo cinematográfico. Com um roteiro muito original, grandes atuações, uma fotografia estupenda e a já clássica direção depressiva e coercitiva de Von Trier, Melancolia leva com muitos méritos nossa medalha de bronze. Pode até não ser tão impactante quanto Anticristo, mas é o melhor filme do diretor desde a dupla Dançando no Escuro/Dogville.


02 - NAMORADOS PARA SEMPRE (Blue Valentine - EUA)


O final feliz invertido. O conto de fadas às avessas. Cianfrance arquiteta um duro, porém realista relato do lado negro do amor. A originalidade do filme é louvável, afinal, é muito mais fácil se manter no saturado mercado dos “felizes para sempre”. Acompanhando o declínio de um casal outrora apaixonado, Namorados Para Sempre se apóia nas ótimas atuações de Ryan Gosling e Michelle Williams para construir um conto sobre como o amor pode ser destrutivo. Medalha de prata com lampejos de dourado.


01 - NÃO ME ABANDONE JAMAIS (Never Let Me Go - EUA/Inglaterra)


Se o cinema se apresenta exatamente na maneira como os filmes tocam sés espectadores, a minha medalha de ouro com certeza está em boas mãos. Ainda me lembro dos vários minutos em que fiquei parado olhando para a tela da TV enquanto subiam os créditos finais de Não Me Abandone Jamais. Enquanto tentava anotar a placa do caminhão que havia acabado de me atropelar admirava um filme simplesmente único e em minha singela opinião espetacular. Transitando entre o cotidiano e o filosófico, questionando comportamentos atuais e mostrando um alternativo caminho que a falta de humanidade atual pode gerar. O diretor Mark Romanek usa e abusa de um clima soturno, penumbroso e extremamente triste para moldar o melhor filme de 2011. Não Me Abandone Jamais é um grito de humanidade, e uma previsão possível para uma espécie que parece fadada a perder aquilo que a essencializa. Belo, tocante, gélido e preocupante, estas são as principais características do campeão de 2011.

OS MELHORES DE 2011

Apesar de anunciar-se como um ano promissor para o cinema, principalmente após seu eufórico primeiro bimestre, 2011 foi marcado por uma abissal queda de rendimento nos meses conseguintes. A trêsderização da cinematografia contribuiu para que as produções fossem mais cada vez mais raras e escassas devido seus altos custos de produção (e babaquice, obviamente). A crise econômica também contribuiu para a aniquilação dos lançamentos do cinema Europeu tornando a lista mais antiga e saudosista que noutros anos.




1- O Mágico

Definitivamente meu filme predileto do ano; de uma simplicidade calada, quase muda. Uma das grandes animações de todos os tempos. Existe algo de chapliniano neste enredo que é o anti-climax dos contos de fada. O filme conta a história de um velho mágico itinerante que não consegue mais fazer crer seus truques - o feitiço & a mágica já haviam perdido seu significado no cabaré da vida contemporânea. Depois de um convite para apresentar-se num vilarejo isolado da Irlanda o mágico redescobre uma platéia inocente o suficiente para acreditar-lhe. Lá uma moça vê nele sua fada-madrinha de tantos contos e, para não frustrá-la em seus desejos de vestidos caros e sapatinhos de cristal, o mágico enfrenta a dura realidade do subtrabalho, dos turnos dobrados, fazendo de tudo para preservá-la do mundo real.



2- Cisne Negro

Filme impecável, de atuações marcantes e direção espetacular. Cisne Negro é uma das grandes obras do cinema arte, é até uma surpresa que tenha caído nas graças do público. Natalie Portman interpreta uma dançarina de Balé enrustida, sob eterna vigilância rigorosa da mãe, que enlouquece aos poucos quando se vê obrigada a liberar sua selvageria para interpretar a dualidade dos Cisnes Branco e Negro.




3- O Vencedor

Mais uma das transformações corporais resolutas do Christian Bale que renderam um ótimo filme. Narra a decadência de um boxeador de fama curta e meteórica e sua relação com o irmão que treina para tornar-se também um boxeador profissional. Foi uma das boas surpresas do inicio do ano.


4- Drive

Com padrões estéticos que lembram muito a obra de David Lynch e uma pitada do bom e velho cinema violento Coreano (Mr. Vengence e afins) Drive arrancou suspiros da crítica num ano de poucos lançamentos interessantes. Ryan Gosling interpreta um dublê de carros hollywoodiano que têm uma vida dupla como piloto de fuga de roubos. Apesar de extremamente metódico & reservado o personagem se apaixona pela vizinha e, a partir desta entrega, entra numa maré de azar. Apesar de não ser um enredo novíssimo – alias, possui um roteiro lugar-comum quando colocado no papel – o filme se destaca pela linguagem pouco ortodoxa. São méritos inquestionáveis do diretor Nicolas Winding Refn, que fez do limão uma limonada.





5- 13 Assassins


Takashi Miike fez uma incrível homenagem (ou releitura, como queiram) dos “7 Samurais” sem cair em desgraça. Adicionadas suas eventuais bizarrices sanguinolentas Miike mostra como a obra de 1954 continua atual apesar da passagem do tempo. Por mais que Western macarrônico de Sergio Leone e, mais recentemente, Quentin Tarantino já tivessem resgatado algumas características do antigo filme de Akira Kurosawa Miike conseguiu manter-se fiel até mesmo à construção dos personagens.




6- Tio Boonmee - Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas

Uma surpresa inesperada do ano de 2011 foi este belíssimo filme vietnamita do iniciante Apichatpong Weerasethakul. A história dum homem visitado por espíritos da floresta, familiares mortos e criaturas estranhas que lhe afligem e revelam sua inevitável morte possui uma sensibilidade inusitada. De construção poética, desconexa, intimista e exótica o filme lembra muito a construção metafísica de Tarkovski, Bergman e Kim-Ki Duk (o último especialmente). Coloco Uncle Boonmee nesta eletiva não só porque é brilhante, mas porque devemos acompanhar Apichatpong muy de perto nos próximos anos. 



7- Melancolia

Lars Von Trier – sempre unanimidade exceto quando se declara nazista em frente de platéia judia – nos trouxe um belíssimo filme que traça paralelos entre o aprazer da vida, do suicídio prenunciado e melancolia & um mundo que se finda num meteoro em direção a terra. Nelson Rodrigues dizia que mineiro só é solidário no câncer, mas não há nada mais corrosivo para as relações humanas que problemas que causam dependência imediata e prolongada. A depressão inominável de Kirsten Dunst é tão destrutiva na família devido sua exigência de cuidados quanto um meteoro arremessado no planeta: a mesquinharia, egoísmo e maldades que costumam florescer nas pessoas em calamidades públicas também acontecem ali, recônditas a uma casa de campo. 



8- 127 Horas


São raros os filmes que me parecem ser melhores toda vez que assisto: 127 Hours é um deles. Apesar de não gostar dos trabalhos do badalado Danny Boyle e julgar “Quero ser um Milionário” de uma chatice infindável encontrei em 127 Horas, não sei por qual razão, uma história digna dos filmes de aventura selvagem dos anos 80. A cena brilhantemente construída em torno da sede, revelando a música de Bill Whiters num traveling sem cortes até o Jeep com um Gatorade é espetacular. 




9- Bravura Indômita

Finalmente um resgate dos bons Westerns depois do débil “3:10 to Yuma”. Os irmãos Cohen acertaram nesta releitura do clássico de Jhon Wayne e na escolha do “The Dude” Jeff Bridges para o papel do U.S Marshall mais inescrupuloso do condado. Com um pitoresco humor o filme possui qualidades memoráveis para torná-lo uma das boas indicações do ano. 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

TOP 10 - Melhores Filmes de 2011

2011 foi um ano relativamente fraco para o cinema. As bilheterias registraram uma queda na arrecadação e a maior parte dos blockbusters foi de sequências de franquias já consagradas, mas que não acrescentaram muito à linguagem cinematográfica. A lista dos filmes de que gostei esse ano tenta fugir um pouco a essa lógica e traz alguns filmes que mais me impressionaram por seu impacto e pelas atuações marcantes. Afinal, a originalidade não foi o forte esse ano. Segue a lista.


1 – Cisne Negro (Black Swan) – uma bailarina entra em um processo de autodestruição física e psicológica ao se preparar para estrelar o espetáculo “O Lago dos Cisnes” em uma importante companhia de dança. O diretor Darren Aronofsky, dos surpreendentes “Réquiem para um Sonho” e “O Lutador”, conduziu um suspense chocante que levanta muita inquietação no espectador. O Oscar de melhor atriz para Nathalie Portman foi mais que merecido.

2 – Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte II – (Harry Potter and The Deathly Hollows Part II) – Redimiu todos os pecados da parte I e fechou com chave de ouro a série de filmes que marcou uma geração inteira. Vai ser difícil, a partir de agora, se acostumar com o fato de que não veremos mais as aventuras do jovem bruxo nos cinemas.

3 – O Vencedor (The Fighter) – O boxe é o esporte oficial do cinema. Dificilmente um drama que permeia pelo mundo da luta fracassa nas telonas. Aliado a isso, O Vencedor traz como subtrama um treinador viciado em crack, cuja vida está sendo retratada em um documentário para HBO.

4 – Biutiful – De bonito, esse filme não tem nada, nem o nome. É tanto sofrimento, são tantos infortúnios e tanta desgraça que até parece filme brasileiro. E isso é um elogio. Às vezes é necessário um retrato mais pessimista para expressar com mais veracidade o conflito do personagem. A atuação de Javier Bardem é sensacional, ele é um dos melhores atores em atividade atualmente.


5 – Contágio (Contagion) – os filmes de Steven Soderberg nunca me agradaram porque sempre apresentavam um discurso político ingênuo e dificuldade em equilibrar as inúmeras tramas que ele tenta administrar ao mesmo tempo no filme. O fraco e pró-bush Traffic e a trilogia dos Homens e dos Segredos são verdadeiras bobagens. Mas em Contágio, ele corrige todos esses erros e trata com segurança e originalidade um tema tabu como também equilibra e extrai um grande carisma de seus muitos personagens. Trata-se de um filme tenso, que consegue causar inquietude no espectador.

6 – O Pequeno Nicolau – (Le Petit Nicolas) – uma comédia deliciosa que te faz rir do começo ao fim. Esse filme tem um humor ingênuo que te pega de surpresa e faz com que se apaixone pela história.

7 – Incêndios (Incendies) – este drama representou o Canadá no último Oscar e não sei como não ganhou o prêmio de melhor filme estrangeiro. A trama trágica e irreversível evolui de uma maneira comovente por quase duas horas e ainda consegue chegar a um final surpreendente. Sem contar que o filme traz uma das melhores atuações femininas já vistas no cinema nos últimos tempos.

8 – Deixe-me Entrar (Let me in) – essa refilmagem do original sueco é uma das melhores senão talvez a única boa pedida do gênero terror nos últimos tempos. O uso de elementos melancólicos da história em favor do suspense somado a trilha sonora espetacular realmente conseguem exercer o sensações negativas no espectador.

9 – Não me Abandone Jamais (Never Let Me Go) – mistura de romance e ficção científica sobre clones criados com o propósito de algum dia na vidade servirem de doadores de órgãos aos seus originais. É um filme chocante pois o espectador precisa aceitar as decisões conformistas dos personagens e entender que a construção de caráter deles se deu de uma maneira diferente.

10 – Lixo Extraordinário – um documentário que acompanha de forma sensível e comovente a histórias dos personagens que têm suas vidas transformadas pela arte. O filme consegue capturar uma beleza visual apesar de se tratar da história de catadores de material reciclável e um dos maiores aterros sanitários do país.