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segunda-feira, 26 de março de 2012

SENTIDOS DO AMOR


Para nossa sorte, nem só de cinema (espaço físico) vive o mundo da sétima arte. Cada vez mais, devido ao advento do cinema barulho e comercial, grandes filmes passam longe dos cinemas e repousam nas locadoras e lojas de DVD´s de forma desconhecida, sem pôsteres e em prateleiras nos fundos. Cada vez mais, você, que se julga um verdadeiro fã de cinema, deve bisbilhotar estas prateleiras, pois em alguns momentos cai em suas mãos uma obra como este Sentidos do Amor.

Ignore o título em português que tenta resumir o filme a um romance de Nicholas Sparks e se coloque na presença de uma inebriante obra, que consegue ser um romance, ser um belo filme, sem ser piegas e sem se esbaldar em clichês pré-determinados, infundados e que não enganam mais ninguém. Sentidos do Amor, do diretor escocês David Mackenzie, se utiliza de um mundo pré-apolíptico que vai se “apocaliptizando” ao longo da fita como um pano de fundo para o romance entre um chef (interpretado de forma intensa por Ewan McGregor) e uma epidemiologista (interpretada de forma igualmente forte por Eva Green). O mais interessante é o modo como o diretor desenvolve o romance e o coloca à prova dos acontecimentos ao redor do casal. Conforme o mundo vai desmoronando, o romance se enraíza, ultrapassando o simples amor romântico e se tornando praticamente um escape para toda a tragédia que os envolve no que toca ao restante de suas vidas.

O romance se desenvolve em meio a uma epidemia, que após acessos extremos de um determinado tipo de emoção (dor, raiva entre outros) gera a perda de um dos sentidos do ser humano, algo que inicia com o olfato, vai para o paladar e segue seu curso, sem qualquer vislumbre de cura ou de explicação para tudo aquilo. A grande sacada de Sentidos do Amor é não cair no caminho mais fácil de “embelezar” uma tragédia, somente pelo fato de a mesma propiciar (ou conviver com) a existência de um grande amor. Mesmo nos momentos mais belos do romance entre os dois, o clima da fita é sombrio, drástico e extremamente soturno, resultado de uma fotografia acinzentada, lúgubre e que parece expelir fuligem ao longo de toda a fita. A trilha sonora é precisa, e o roteiro consegue escapar (outro grande mérito) de momentos “songs of love” carregados e que tentam forçar um grande amor. Mackenzie acerta a mão, nos brinda com enquadramentos e cenas maravilhosas (com destaque para a união do casal, na imagem que estampa o pôster do filme no início deste texto) e constrói tanto um romance quanto uma catástrofe que segue seu curso de força extremamente natural, triste, porém natural, de tal forma, que no momento em que amor entre os protagonistas se torna o centro, você aceita e torce por isto, tamanha a simpatia que se adquire pelo amor do casal, mediante à tristeza do restante. Se um grande romance é aquele em que torcemos pelo casal principal, os momentos finais da fita corroboram a ideia e te fazem sentir o impacto deste surpreendente filme.

Da mesma forma que outros filmes que, por mais que tenham diferenças, seguem a mesma linha de tendência, como Ensaio Sobre a Cegueira, A Estrada e Não Me Abandone Jamais, o pessimismo e a dureza do filme podem não agradar muitas pessoas, pois a esperança aparece em pequenos detalhes, sendo que estes muitas vezes se mostram pouco seguros, contudo, é inegável o tom de qualidade, de audácia e de originalidade deste ótimo filme, que não estreou nos cinemas brasileiros e que corre o risco de nunca receber o reconhecimento que merece. Enquanto Crepúsculos e comédias estúpidas banalizam o amor e enchem de besteira a cabeça daqueles que vão ao cinema, Sentidos do Amor passa despercebido, chegando apenas às mãos daqueles que buscam um pouco mais no cinema do que mero entretenimento. Em resumo, se você ainda não sabe o que assistir no próximo fim de semana, ou no seu próximo fim de noite, aceite minha dica e capte toda a beleza desta incrível obra. Imperdível.


(Perfect Sense de David Mackenzie, Alemanha/Dinamarca/Reino Unido/Suécia - 2011)



NOTA: 9,0

segunda-feira, 19 de março de 2012

AS VÁRIAS FACES DE GARY OLDMAN

Inicio com este grande ator minha intenção de ampliar os horizontes do blog para além dos filmes apenas:



1 - LUDWIG VAN BEETHOVEN (MINHA AMADA IMORTAL - 1994)


2 - CONDE DRÁCULA (DRÁCULA DE BRAM STOKER - 1992)


3- COMISSÁRIO JIM GORDON (BATMAN BEGINS - 2005, BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS - 2008, BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE - 2012) 


4 - SIRIUS BLACK (SAGA HARRY POTTER - 2004, 2005, 2007, 2011)


5 - GEORGE SMILEY (O ESPIÃO QUE SABIA DEMAIS - 2011)

quinta-feira, 15 de março de 2012

OS INOCENTES


Um dos grandes clássicos do terror e do suspense de todos os tempos, Os Inocentes é uma obra de peculiaridades claras, que consegue como poucos filmes dosar tensão e sustos, sem perder seu elemento clássico, além de conseguir fazer tudo isso sem descambar para maneirismos ou situações absurdas que poderiam ser utilizadas (e neste tipo de filme muitas vezes são) para amarrar e resolver o enredo de forma mais rápida, porém normalmente mais falha.

Os Inocentes conta a história de uma governanta recém-contratada para cuidar de duas crianças na casa de campo onde elas vivem. A partir de tal ponto, a governanta começa a perceber eventos estranhos na casa, o que a faz, muito mais que colocar em cheque a sobrenaturalidade destes fatos, começar a questionar a aparência e as atitudes angelicais e dóceis das crianças.

Os Inocentes é um filme único, pelo fato de trilhar por caminhos muito diferentes do que a maioria das fitas de seu gênero. A personagem de Deborah Kerr, ou seja, a governanta, ao começar perceber a presença de fenômenos sobrenaturais na casa, não apela para resoluções mirabolantes ou correrias desenfreadas para que de repente uma pista salte à sua frente para lhe criar uma visão epifânica. Por mais que elementos deste tipo até se apresentem, eles acontecem em uma escala tão baixa e tão coadjuvante que nem fixam raízes, dando espaço para uma resolução mais centrada, mais pautada nas desconfianças da personagem do que propriamente em pudores ou moralismos. Colocar as crianças como elementos de presença dos fantasmas, e associá-los a maldade é algo pouco visto atualmente, muito devido ao elemento hipócrita politicamente correto de nossa sociedade atual. Aqui a coisa é diferente, e a governanta não desvia suas desconfianças das crianças e as associa a maldade sem qualquer tipo de freio ou ficcionismo.

Falando do filme em si, Os Inocentes não tem estrutura de terror/ação, mas sim de terror/drama, ou seja, não possui aquele clima desenfreado onde sustos pululam de todos os lugares sem qualquer compostura, mas sim aquele clima mais ameno, onde o suspense e o terror vão se desenvolvendo com o tempo para alcançar seu clímax a longo prazo. O resultado disto é um filme que em seu início é bem tranqüilo, mas que após algum tempo gera uma tensão no espectador que ultrapassa a existência de sustos. Filmes onde os sustos são mais dispersos ao longo do roteiro funcionam melhor, pois o espectador não sabe muito bem onde e quando eles acontecerão. A tensão é tão grande que você termina o filme meio perdido, efeito que ainda se alonga por algum tempo após o término da fita. Tal ressalva feita, que fique claro outro aspecto: com os poucos sustos que o filme tem, ele consegue simplesmente gelar a espinha do espectador (poucas vezes passei tanto pavor na frente de um filme quanto na cena em que o menino Miles está de costas para uma janela e um vulto aparece atrás da mesma dando risadas).

A direção é precisa, o elenco é ótimo e a direção de arte brilhante, unida a uma fotografia estupenda, onde as sombras são utilizadas de maneira assombrosa (com o perdão do trocadilho) para ajudar na criação do penumbroso clima que percorre toda a fita. A lamentar, apenas a dificuldade de acesso ao filme atualmente. Fora de catálogo no Brasil há bastante tempo, depende-se de boas almas que disponibilizem o filme, elemento que o encarece bastante, justamente, diga-se de passagem devido a seu caráter de raridade. Devido a isso, por exemplo, levei um bom tempo para ter acesso a esta grande obra.

Lamentos deixados de lado, Os Inocentes é com certeza um filme que deve ser visto por qualquer fã de cinema, independente de peculiaridades genéricas de gosto, pois o filme é muito mais que um mero suspense ou filme de horror, é uma grande obra feita pelo cinema, que potencializa características e técnicas que ultrapassam as limitações de seu gênero. Imperdível.


(The Innocents de Jack Clayton, Inglaterra - 1961)


NOTA: 9,0

terça-feira, 13 de março de 2012

CASSINO


Uma das mais aclamadas obras do mestre Scorsese é uma descida aos abismos do mundo pobre e desregrado não só da famosa Las Vegas, mas de todo o circuito envolvido em um mundo muito mais profundo que meras jogatinas e promiscuidades.

Cassino acompanha o desenrolar, o enrolar, o desenrolar e o enrolar de novo e assim sucessivamente de personagens envolvidos em tal meio, explorando suas idiossincrasias e exemplificando com formulações diferentes de cada um dos personagens, quais são os tipos de seres aos quais se transformam àqueles totalmente embrenhados deste âmbito e tudo aquilo que o mesmo pode proporcionar. Assim sendo, encontramos chefões de jogos e máfias, prostitutas, cafetões, simples apostadores, corruptos e por aí vai, todos eles analisados e apresentados com as características estéticas scorsesistas da potencial capacidade bestial do homem.

Scorsese consegue como ninguém, buscar e expor a capacidade que o homem tem de se tornar simplesmente uma besta, e explora tais elementos com uma inteligência única, se apoiando em elementos de temática violenta, porém que nunca se afastam de um forte realismo, por mais que em alguns momentos este realismo seja um pouco exagero. A câmera de Scorsese é sempre muito bem centrada e o desenvolvimento do roteiro é brilhante, por mais que demore alguns minutos acima do recomendável para funcionar. Além disso, estão presentes aqui o exótico gosto de Scorsese por figurinos exagerados e aquela perturbadora fotografia em tons avermelhados que parece nos impulsionar para dentro do ambiente do Cassino mesmo quando lutamos contra tal força.

Mesmo com seu habitual talento para dirigir e contar histórias de tal envergadura, nada funcionaria tão bem quanto funciona se não fosse o ótimo elenco. Robert DeNiro deve toda sua carreira a Scorsese, e aqui está novamente ótimo nas mãos do diretor. Sharon Stone nos mostra a melhor atuação de sua carreira em um papel difícil, porém feito com muita vontade, todavia o destaque maior vai para Joe Pesci, outro que cresce nas mãos de Scorsese, que nos brinda com uma atuação fenomenal e cheia de entusiasmo.

Cassino não é o melhor filme de Scorsese, mas desde sempre circulou entre os grandes, algo mais que merecido. Como filme propriamente dito já é um gigante, agora, como estudo do comportamento e da formalização humana, Cassino é mais uma obra-prima deste gênio do cinema chamado Martin Scorsese. Imperdível.


(Casino de Martin Scorsese, EUA/França - 1995)


NOTA: 8,5

terça-feira, 6 de março de 2012

NAPOLEON DYNAMITE


Tentar rotular ou simplesmente encaixar Napoleon Dynamite em padrões comuns do cinema é uma tarefa no mínimo dura e criteriosa. A originalmente comédia de Jared Hess acompanha a vida de Napoleon, um estudante do meio-oeste americano preso em um mundo de certo modo geek e que não consegue se relacionar em nada, mais absolutamente nada fora disso, melhor dizendo, sua dificuldade de relacionamento de transpõe até mesmo a membros daquilo que seria o seu meio, porém com algumas diferenças; em resumo, um jovem extremamente excêntrico e preso em si mesmo e em seu mundo particular. As coisas mudam um pouco, quando ele conhece Pedro, um clássico adolescente mexicano que migrou para os EUA. Clássico tanto na maneira, quanto no perfil que o filme dá ao personagem.

Em primeiro momento, Napoleon Dynamite parece uma comédia de adolescente de jargões comuns e pouco inventividade; contudo ao longo da fita o negócio descamba para um estilo muito diferente, que pode causar estranheza em muita gente, porém inegavelmente original. Com toques de drama, e poucas cenas realmente engraçadas (a melhor delas é com certeza quando Napoleon se apresenta para a campanha de seu amigo Pedro para presidente dos estudantes), Napoleon Dynamite apóia-se muita mais na ideia de ser diferente do que necessariamente ser engraçado, e o resultado final depende da inserção do espectador neste movimento do filme. Em outras palavras, muito mais que gostar de comédia, para gostar de Napoleon Dynamite você deve gostar de comédias excêntricas, que misture humor negro, muitas vezes sutil, toques de escatologia e abra mão, em sua grande parte, daquele humor explícito e vulgar da maioria das comédias atuais deste gênero.

A direção de Hess também é diferente para este tipo de filme. Ele usa muita mais elementos de road movie do que de comédia. A fita é repleta de planos vazios, e a câmera de Hess normalmente fica estática esperando as ações dos personagens passarem por ela. Se no roteiro a inovação de Hess ajuda a fita, na direção nem tanto. O filme perde agilidade, o que para uma comédia é algo ruim, e temos uma fita muitas vezes lenta e de pouca explosão, algo que faz com que seus curtos 82 minutos pareçam bem mais tempo.

As atuações são ótimas e constroem os estereótipos (claramente proposital) de forma impressionantemente precisa, além de um intrigante trabalho de direção de arte, maquiagem e figurino de incrível mau gosto (também proposital). A trilha sonora em alguns momentos muito dura, faz seu papel, mas também colabora para o elemento road movie do filme.Além disso, tenho outra colocação: eu entendo que o fato de o filme se passar em Idaho merece tal aspecto, mas minha pergunta é se a fita precisava potencializar tanto o aspecto caipira da região, por assim dizer, algo que às vezes me soa um pouco exagerado demais (pois exagerado o filme já é por si só).

No final das contas, Napoleon Dynamite é um filme interessante, original e com boas sacadas, todavia, confesso que, devido a algumas opiniões que já ouvi sobre o mesmo eu esperava um pouco mais. É bom, porém nada fora de série como muitos dizem por aí.


(Napoleon Dynamite de Jared Hess, EUA - 2004)


NOTA: 6,5

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

OSCAR EM COMPRIMIDOS

Farei aqui um breve comentário sobre os principais filmes que concorreram ao Oscar 2012 (seja com seus atores, aparatos técnicos ou artísticos ou com seu próprio nome), agora que a sentença já foi dada, hehehehe:

O ARTISTA 

A audácia de um trabalho mudo e em P&B em pleno momento em que o cinema transborda para outro lado comoveu praticamente o mundo todo. Ao resgatar a época do cinema mudo, Hanavicius constrói um filme nostálgico, ousado e muito belo. Praticamente impecável em suas partes técnica e artísticas, O Artista peca apenas na falta de originalidade de seu roteiro, que trabalha com a decadência perante as mudanças (aqui envolvendo o cinema), algo, por exemplo, já feito no maravilhoso Crepúsculo dos Deuses. Muito mais corajoso do que ótimo, O Artista é um pouco superestimado, e venceu concorrentes melhores que ele.

NOTA: 8,5


A INVENÇÃO DE HUGO CABRET

Dos indicados ao Oscar de Melhor Filme, o filme em 3D de Martin Scorsese era o melhor (ao lado de A Árvore da Vida). De uma plasticidade e de uma beleza sensacionais, Scorsese dá o toque de originalidade à nostalgia cinematográfica que não existe no vencedor O Artista. A verdade é que com este filme, Scorsese prova que qualquer recurso que possa existir em uma forma de arte, nas mãos dos grandes gênios da mesma, flui e se mostram competentes. Emocionante e original, A Invenção de Hugo Cabret é, desde já um dos grandes momentos do cinema dos últimos anos. Maravilhoso.

NOTA: 10,0


OS DESCENDENTES

Por se tratar de um filme de Alexander Payne, nenhuma outra palavra poderia acompanhá-lo a não ser: decepção. Previsível, correto e bobinho em vários momentos, Os Descendentes é a união de tudo aquilo que você normalmente não espera encontrar em um filme de Payne. Não entendo o “auê” em torno deste filme que chega até a ser bem chatinho em alguns momentos, isso sem contar o insuportável “elemento propaganda” envolto ao Havaí. Com certeza, é o pior filme de Payne.


NOTA: 5,5


HISTÓRIAS CRUZADAS


Histórias Cruzadas é um daqueles filmes em que algo muito bom esconde um restante falho. O elenco está tão sintonizado e não forte neste trabalho, que o espectador mais desatento nem consegue perceber suas falhas técnicas e artísticas (seu exagerado trabalho de maquiagem e seu roteiro vicioso são os dois maiores exemplos). No final das contas, o filme é agradável e funciona bem, mas é isso, um bom filme e nada mais.


NOTA: 7,0


CAVALO DE GUERRA


Um dos mais contestados participantes do Oscar 2012, o fortíssimo melodrama de Spielberg desagrada a muitos espectadores, porém agrada a outros como... eu. Não à toa sou fã de diretores como Jim Sheridan e Lasse Hallström, em outras palavras, eu gosto de dramas chorosos e explosivos. Contudo, apesar do gosto pessoal, eu entendo as reclamações dos não-fãs, pois com 20 minutos de filme já sabemos o Spielberg que iremos encontrar, o restante vai do gosto do freguês.


NOTA: 7,0


O HOMEM QUE MUDOU O JOGO

O mais duro e inacessível (de um modo diferente da pouca acessibilidade de A Árvore da Vida) dos nove concorrentes aos Oscar esbarra no seu incrível tecnicismo. Se o espectador não for familiarizado com o esporte (no caso o beisebol) terá sérias dificuldades de gostar ou mesmo de assimilar o conteúdo e o contexto da fita. Contudo, isto não tira o brilho de um filme que se sustenta mesmo assim, graças ao seu estupendo roteiro e a atuações poderosas. Confesso que fiquei surpreso ao perceber o quanto este filme me agradou. Um grande trabalho, mas que, principalmente no Brasil, não vingará.

NOTA: 8,5


O ESPIÃO QUE SABIA DEMAIS

Só de lembrar deste filme eu já fico mais empolgado para escrever aqui. Simplesmente impressionante. Thomas Alfredson (o mesmo de Deixa Ela Entrar) dirigi este soberbo filme de espionagem. Um roteiro descomunal (apesar de difícil), uma trilha sonora perfeita e aquele clima obscuro contrastando com um Gary Oldman no ápice de sua capacidade, transformam este filme em uma obra-prima. O fato de ter sido esquecido na maioria das categorias do Oscar não o diminui em nada. Pode gerar descontentamento por ser um filme que exige demais do espectador, mas pra quem gosta de cinema de qualidade, até o momento em 2012, não existe nada melhor.

NOTA: 10,0


ALBERT NOOBS

Gleen Close e Janet Mcteer carregam nas costas um drama de época muito bonito e igualmente interessante. Gostei muito do filme, que consegue aliar muito bem a parte artística com um roteiro de partes extremamente originais. Albert Noobs consegue trabalhar temas complicados e de forte apelo sem cair na pieguice e sem se embrenhar por aspectos ideológicos, o que neste caso é um mérito dado o contexto geral da fita, pois é nítido que o drama aqui é humano e não social ou político. Há muito tempo não via Gleen Close inspirada, o que venhamos e convenhamos faz falta ao mundo do cinema.

NOTA: 7,5


MILLENIUM – OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES

Faltam-me palavras para descrever minha decepção com David Fincher. Como pode um diretor extremamente original, se empenhar em um projeto que simplesmente copia uma fita sueca de apenas três ou quatro anos atrás. Jamais imaginei que Fincher seria um representante da falta de criatividade e originalidade do cinema americano atual. Millenium (o americano) é uma cópia deslavada do mesmo filme sueco, e no pouco que tenta mudar, consegue simplesmente piorar o original (como no horroroso desfecho do filme). Já o assisti com má vontade, pois se trata de um filme extremamente desnecessário. Pode até ser competente, mas é uma cópia competente, o que, aqui para nós, não é lá algo digno de louvor.

NOTA: 4,5


A DAMA DE FERRO

Um filme para inglês ver, literalmente. Ao compor Margareth Tatcher e biografá-la, a fita não consegue superar a dificuldade de se tornar uma fita para todos e não apenas para ingleses e conhecedores do funcionamento político do Reino Unido (sensação parecida com a que tive com o filme Um Homem Sério dos irmãos Coen alguns anos atrás em relação aos judeus). Os dramas mais humanos da personagem, que poderiam ajudar neste processo são falhos e mal desenvolvidos, e a parte mais engajada da fita, mesmo mais empolgante, se mostra muito distante do público em geral, causando uma frieza que prejudica o conjunto da fita. Ao contrário de O Homem Que Mudou o Jogo que supera seu excessivo tecnicismo através de um roteiro compacto e de situações mais contundentes, A Dama de Ferro esbarra na pobreza de seu material. Streep realmente está bem, mas me pergunto: Se fosse outra atriz qualquer que fizesse exatamente a mesma interpretação, geraria esse alvoroço todo? Destaque também para o ótimo Jim Broadbent no papel do marido de Tatcher, que é, definitivamente, o único elo entre público e filme.

NOTA: 4,0


TODA FORMA DE AMOR

Filme que deu o Oscar de Ator Coadjuvante para Christopher Plummer é uma comédia romântica na linha de O Fabuloso Destino de Amèlie Poulain; em outras palavras, diálogos rápidos e incisivos, situações extravagantes que norteiam o pensar e o agir dos personagens. Filme pequeno e simples, que consegue com estes elementos se tornar um passatempo agradável. Não é um poço de originalidade e muito menos um trabalho genial, contudo esbanja simpatia. Destaque, para além de Plummer, o casal central vivido por Ewan McGregor e Melanie Laurent, além do ótimo cachorro da raça Jack Russell que recebe no filme o nome de Arthur.

NOTA: 6,5


A SEPARAÇÃO

Outro grande filme a circular pelo Oscar é este drama iraniano sobre um casal que passa por um processo de separação e todas as conseqüências que este ato envolve. Uma direção precisa se alia a um roteiro bárbaro, tanto em composição quanto em originalidade. Como se não bastasse, tudo isto vem acompanhado de um elenco vibrante e incrivelmente sintonizada. Tenso e pulsante como todo drama deste tipo deve ser, A Separação mostra mais uma vez a força do cinema, e mostra que a frase do chef Gusteau de Ratatouille não serve apenas para cozinheiros, afinal: “nem todos podem fazer um grande filme,mas um grande filme pode vir de qualquer lugar”.

NOTA: 9,5


MISSÃO MADRINHA DE CASAMENTO

O Se Beber, Não Case das mulheres. Há muito tempo o mundo implorava por uma comédia deste tipo (mistura de pastelão com besteirol) que fosse protagonizada por mulheres com situações “tipicamente femininas”, e eis que surgiu esta fita aqui. O filme tem cenas bem engraçadas, mas como toda comédia deste tipo, esbarra em preconceitos e estereótipos questionáveis (basta ver que o centro destes filmes sempre são o “tipicamente masculino” ou neste caso o já citado “tipicamente feminino”). Passa bem longe de ser ruim, e até se destaca no âmbito das comédias (não que hoje isto signifique muita coisa), mas assim como seu representante masculino, causa um impacto inicial que não dura muito, mostrando sua verdadeira realidade após passar este primeiro contato. Todavia, algumas risadas estão garantidas.

NOTA: 6,5 

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Meus palpites para o Oscar 2012:

Melhor Filme: O Artista

O Artista é um fenômeno que conquistou espaço por sua franqueza narrativa em um ano de filmes fracos e que utilizam fórmulas já desgastadas. Vai ser interessante ver um filme mudo, em preto e branco e produzido fora do grande circuito americano levando o prêmio de melhor filme.

Meu voto seria: O Artista

Quem eu queria que estivesse indicado: Na minha opinião, faltaram J. Edgar do Clint Eastwood, Tudo Pelo Poder do George Clooney e Millenium - Os Homens que não Amavam as Mulheres nessa seleção. Estes sim eram os filmes mais ambiciosos do ano. E por que não Drive e Melancolia? Ousados demais para a academia.


Melhor Diretor: Michael Hazanavicious - O Artista

Ele ainda não é muito famoso nos EUA, mas se levarmos em conta que nos últimos anos a academia tem preferido diretores em ascensão em vez de reconhecer os já consagrados, o prêmio deve ir para o francês.

Meu voto seria: Michael Hazanavicious - O Artista

Quem eu queria que estivesse indicado: David Fincher, por Millenium – Os Homens que não Amavam as Mulheres


Melhor Ator – Jean Dujardin – O Artista

Ele é o Roberto Benigni dos anos 2010. O palhaço estrangeiro que usa de carisma e inteligência para conquistar os americanos com uma bela história.

Meu voto seria: George Clooney – Os Descendentes

Quem eu queria que estivesse indicado – Leonardo Di Caprio – J. Edgar


Melhor Atriz – Meryl Streep – A Dama de Ferro

Esse filme é um porre de chato. Mas a atriz tem que ser reconhecida por este trabalho.

Meu voto seria: Rooney Mara - Millenium – Os Homens que não Amavam as Mulheres

Quem eu queria que estivesse indicada – Tilda Swinton – Precisamos falar sobre Kevin

Melhor Atriz Coadjuvante – Octavia Spencer – Histórias Cruzadas

Ela faz uma torta de fezes e essa é toda a contribuição dela para o filme. É engraçado, tudo bem, mas se a Academia tem tanto interesse em premiar esse filme, podia ao menos ser a Emma Stone ou a Bryce Dallas Howard, que estão bem melhores no filme.

Meu voto seria: Berenice Bejo - O Artista

Quem eu queria que estivesse indicada: Shaileene Woodley - Os Descendentes

Melhor Ator Coadjuvante - Christopher Plummer - Toda Forma de Amor

É um belo trabalho. Pena que o filme é chato. Toda vez que engata um bom diálogo, o próprio roteiro se sabota com meia dúzia de cenas entediantes. Mas ainda assim não é um demérito ao ator que vai ter sua obra de mais de 50 anos reconhecida.

Meu voto seria: ainda não vi 7 Dias com Marilyn, mas votaria em Nick Nolte pelo ótimo Guerreiro

Quem eu queria que estivesse indicado: Armie Hammer – J. Edgar

Melhor Roteiro Original - Meia Noite em Paris – Woody Allen

É um filme criativo, simpático e um sucesso de bilheteria. Vai ser merecido se ganhar.

Meu voto seria: A Separação

Quem eu queria que estivesse indicado: O Menino da Bicicleta

Melhor Roteiro Adaptado – Os Descendentes

Meu voto seria – O Homem que mudou o Jogo

Quem eu gostaria que estivesse indicado – Millenium - Os Homens que não Amavam as Mulheres

Melhor Filme Estrangeiro – A Separação

Meu voto seria – A Separação

Quem eu gostaria que estivesse indicado: O Menino da Bicicleta

Melhor Filme de Animação – Rango

Meu voto seria – Kung Fu Panda 2

Quem eu gostaria que estivesse indicado – As Aventuras de Tintim – O Segredo do Licorne

Melhor Trilha Original – O Artista

Meu voto seria – John Williams – As Aventuras de Tintim

Quem eu queria que estivesse indicado – Alexandre Desplat pela trilha de Harry Potter e as Relíquias da Morte Pt. II

Melhor Canção Original – Man or Muppet – Os Muppets

Meu voto seria – Man or Muppet – Os Muppets

Melhor Fotografia – Millenium - Os Homens que não Amavam as Mulheres

Meu voto seria – Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Quem eu queria que estivesse indicado – Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte II

Melhor Edição – Millenium – Os Homens que não Amavam as Mulheres

Meu voto seria – Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Quem eu queria que estivesse indicado – Margin Call – O Dia Antes do Fim

Melhor Som – A Invenção de Hugo Cabret

Meu voto seria – Transformers 3 – O Lado Oculto da Lua

Quem eu queria que estivesse indicado – Super 8

Melhor Edição de Som – Millenium – Os Homens que não Amavam as Mulheres

Meu voto seria – Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Quem eu queria que estivesse indicado – Missão Impossível 4

Melhor Figurino – A Invenção de Hugo Cabret

Meu voto seria – Não vi três dos cinco indicados

Quem eu gostaria que estivesse indicado – Um Método Perigoso

Melhor Maquiagem – A Dama de Ferro

Meu voto seria – Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte II

Quem eu gostaria que estivesse indicado – X-Men Primeira Classe

Melhor Direção de Arte – A Invenção de Hugo Cabret

Meu voto seria - A Invenção de Hugo Cabret

Quem eu gostaria que estivesse indicado – Um Método Perigoso

Melhores Efeitos Especiais - Planeta dos Macacos - A Origem

Meu voto seria - Planeta dos Macacos - A Origem

Quem eu gostaria que estivesse indicado - Super 8


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

COMENTÁRIOS SOBRE OS INDICADOS AO OSCAR 2012


Demorei um pouco para publicar aqui os indicados ao Oscar 2012, pois queria comentá-los e ainda não tinha visto a maioria dos filmes de todas as categorias. Agora, há apenas alguns dias da entrega dos prêmios, eu já consegui ver a maioria deles e posso comentar um pouco melhor, e é exatamente isto que farei agora, ou seja, um breve comentário das principais categorias do Oscar 2012.


MELHOR FILME

INDICADOS

"Cavalo de guerra"
"O artista"
"O homem que mudou o jogo"
"Os descendentes"
"A árvore da vida"
"Meia-noite em Paris"
"História cruzadas"
"A invenção de Hugo Cabret"
"Tão forte e tão perto"  

A categoria principal sempre guarda ansiedades e surpresas e este ano não será diferente. Entre os nove indicados temos filmes de vários gêneros e várias propostas. Como já afirmei no meu post anterior, senti a falta principalmente de O Espião Que Sabia Demais entre os indicados e acredito haver uma supervalorização de filmes comuns e sem muita inspiração como Os Descendentes, mas a verdade é que a disputa está acirrada, e há poucos dias da entrega do prêmio, poucos se arriscam a gravar uma grande certeza no nome do vencedor. Entre os favoritos destacam-se O Artista, o próprio Os Descendentes (vai entender a Academia) e A Invenção de Hugo Cabret. Qualquer outro que vença será uma bela de uma zebra.

Favorito: O Artista.

Correndo por fora: Os Descendentes e A Invenção de Hugo Cabret.

Torcendo por: A Árvore Da Vida ou A Invenção de Hugo Cabret.


MELHOR ATOR

INDICADOS

Demián Bichir - "A better life"
George Clooney - "Os descendentes"
Jean Dujardin - "O artista"
Gary Oldman - "O espião que sabia demais"
Brad Pitt - "O homem que mudou o jogo"

Não vi o desempenho de Demián Bichir em A Better Life, sendo assim,  farei meu comentário sem considerá-la. Melhor Ator sempre é uma das mais disputadas categorias, devido ao altíssimo nível de seus concorrentes, e este ano não é diferente. Gostei das quatro interpretações que vi, mas o meu destaque vai para o estupendo trabalho de Gary Oldman no injustiçado O Espião Que Sabia Demais e para o surpreendente Brad Pitt no também ótimo O Homem Que Mudou o Jogo. Porém, acho difícil a estatueta de Melhor Ator escapar das mãos do francês Jean Dujardin (venceu o Globo de Ouro e o SAG) que apesar de não ser meu favorito, não seria uma injustiça.

Favorito: Jean Dujardin.

Correndo por fora: George Clooney

Torcendo por: Gary Oldman ou Brad Pitt.


MELHOR ATRIZ

INDICADOS

Glenn Close - "Albert Nobbs”
Viola Davis - "Histórias cruzadas"
Rooney Mara - "Os homens que não amavam as mulheres"
Meryl Streep - "A dama de ferro"
Michelle Williams -"Sete dias com Marilyn”

Não vi o desempenho de Michelle Williams em Sete Dias Com Marilyn, sendo assim, farei meu comentário sem considerá-la. A disputa aqui é duríssima, pois temos grandes interpretações. Ao contrário de Melhor Ator que Jean Dujardin vem monopolizando os principais prêmios, aqui existe um equilíbrio maior. Meryl Streep venceu o Globo de Ouro por seu bom desempenho no chatíssimo A Dama de Ferro, enquanto que Viola Davis venceu o SAG por sua ótima atuação no interessante Histórias Cruzadas. Como o SAG é um termômetro mais confiante para o Oscar do que o Globo de Ouro, Viola Davis sai como favorita. Não entendo a presença aqui de Rooney Mara em detrimento do ótimo trabalho de Tilda Swinton em Precisamos Falar Sobre o Kevin, contudo já faz algum tempo que deixei de tentar entender as escolhas da Academia.

Favorita: Viola Davis.

Correndo por fora: Meryl Streep e Michelle Williams

Torcendo por: Glenn Close.


MELHOR DIRETOR

INDICADOS

Michel Hazanavicius - "O artista"
Alexander Payne - "Os descendentes"
Martin Scorsese - "A invenção de Hugo Cabret"
Woody Allen - "Meia-noite em Paris"
Terrence Malick - "A árvore da vida"

Outra disputa acirrada. Hazanavicius venceu o prêmio do sindicato, enquanto que Scorcese venceu o Globo de Ouro, Alexander Payne corre por fora, porém Allen e Malick são nomes de respeito e que podem surpreender. O trabalho de Malick em A Árvore da Vida é soberbo, assim como o do mestre Scorcese no seu Hugo Cabret, todavia acredito que a academia tenda um pouco para o lado de Hazanavicius e seu audacioso O Artista.

Favorito: Michel Hazanavicius.

Correndo por fora: Martin Scorcese e Alexander Payne

Torcendo por: Terrence Malick ou Martin Scorcese.


MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

INDICADOS

"Os descendentes"
"A invenção de Hugo Cabret"
"Tudo pelo poder"
"O homem que mudou o jogo"
"O espião que sabia demais"

Eu adoro o texto de Hugo Cabret e de O Espião Que Sabia Demais, porém nada supera o excelente roteiro de O Homem Que Mudou O Jogo. Uma vitória de Os Descendentes ou de Tudo Pelo Poder nesta categoria seria uma injustiça cruel, porém provável, principalmente com o primeiro caso.

Favorito: Os Descendentes e A Invenção de Hugo Cabret

Correndo por fora: O Homem Que Mudou o Jogo e O Espião Que Sabia Demais

Torcendo por: O Homem Que Mudou o Jogo, O Espião Que Sabia Demais ou A Invenção de Hugo Cabret.


MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

INDICADOS

"O artista”
"Missão madrinha de casamento"
"Margin Call"
"Meia-noite em Paris"
"A separação"

Este ano, a categoria de Roteiro Original está mais fraca que a de Roteiro Adaptado. O Globo de Ouro foi para Meia-Noite em Paris, de forma justa, diga-se de passagem, mas temo pela vitória de O Artista, o que nesta categoria seria uma grande injustiça, pois seu texto supera apenas o de Missão Madrinha de Casamento ficando bem abaixo dos outros três ótimos concorrentes.

Favorito: O Artista e Meia-Noite em Paris

Correndo por fora: A Separação

Torcendo por: A Separação, Meia-Noite em Paris ou Margin Call



MELHOR ATOR COADJUVANTE


INDICADOS

Kenneth Branagh - "Sete dias com Marilyn"
Jonah Hill - "O homem que mudou o jogo"
Nick Nolte - "Warrior"
Max Von Sydow - "Tão forte e tão perto"
Christopher Plummer - "Beginners"

Favorito: Christopher Plummer

Correndo por fora: Jonah Hill

Torcendo por: Jonah Hill ou Kenneth Branagh



MELHOR ANIMAÇÃO

INDICADOS

"A Cat in Paris"
"Chico & Rita"
"Kung Fu Panda 2"
"Gato de Botas"
"Rango"

Favorito: Rango

Correndo por fora: Kung Fu Panda 2

Torcendo por: ???????



MELHOR ATRIZ COADJUVANTE


INDICADOS

Octavia Spencer - "Histórias cruzadas"
Bérénice Bejo - "O artista"
Jessica Chastain - "Histórias cruzadas"
Janet McTeer - "Albert Nobbs"
Melissa McCarthy - "Missão madrinha de casamento"

Favorita: Octavia Spencer

Correndo por fora: Bérénice Bejo

Torcendo por: Octavia Spencer, Janet McTeer ou Jessica Chastain



MELHOR TRILHA SONORA

INDICADOS

"As aventura de Tintim" - John Williams
"O Artista" - Ludovic Bource
"A invenção de Hugo Cabret" - Howard Shore
"O espião que sabia demais" - Alberto Iglesias
"Cavalo de guerra" - John Williams

Favorito: O Artista

Correndo por fora: A Invenção de Hugo Cabret

Torcendo por: Nesta categoria todas merecem




MELHOR CANÇÃO ORIGINAL


INDICADOS

"Man or Muppet", de "Os Muppets", música e letra de Bret McKenzie
"Real in Rio", de "Rio", música de Sergio Mendes e Carlinhos Brown, letra de Siedah Garrett

Favorito: Os Muppets

Correndo por fora: Rio

Torcendo por: Os Muppets




MELHOR MAQUIAGEM


INDICADOS

"Albert Nobbs"
"Harry Potter"
"A dama de ferro"

Favorito: A Dama de Ferro

Correndo por fora: Harry Potter e Albert Nobbs

Torcendo por: Albert Nobbs




MELHOR DIREÇÃO DE ARTE


INDICADOS

"O artista"
"Harry Potter"
"A invenção de Hugo Cabret"
"Meia-noite em Paris
"Cavalo de guerra"

Favorito: O Artista e A Invenção de Hugo Cabret

Correndo por fora: Harry Potter

Torcendo por: A Invenção de Hugo Cabret



MELHOR FOTOGRAFIA


INDICADOS

"O artista"
"Os homens que não amavam as mulheres"
"A invenção de Hugo Cabret"
"A árvore da vida"
"Cavalo de guerra"

Favorito: O Artista e A Árvore da Vida

Correndo por fora: A Invenção de Hugo Cabret e Cavalo de Guerra

Torcendo por: Não ganhando Os Homens Que Não Amavam As Mulheres pra mim já tá valendo.



MELHOR FIGURINO


INDICADOS

"Anônimo"
"O artista"
"A invenção de Hugo Cabret"
"Jane Eyre"
"W.E."

Favorito: Jane Eyre e O Artista

Correndo por fora: Anônimo

Torcendo por: Não ganhando o filme da Madonna tá valendo.



MELHOR EDIÇÃO


INDICADOS

"O artista"
"Os descendentes"
"Os homens que não amavam as mulheres"
"A invenção de Hugo Cabret"
"O homem que mudou o jogo"

Favorito: A Invenção de Hugo Cabret

Correndo por fora: O Artista e Os Homens Que Não Amavam As Mulheres

Torcendo por: O Homem Que Mudou o Jogo e A Invenção de Hugo Cabret


MELHOR FILME ESTRANGEIRO

INDICADOS
"Bullhead" - Bélgica
"Footnote" - Israel
"In Darkness" - Polônia
"Monsieur Lazhar" - Canadá
"Separação" - Irã 

Favorito: A Separação

Correndo por fora: ??????

Torcendo por: A Separação


MELHOR EDIÇÃO DE SOM

INDICADOS

"Drive"
"Os homens que não amavam as mulheres"
"A invenção de Hugo Cabret"
"Transformers: o lado oculto da lua"
"Cavalo de guerra"

Favorito: A Invenção de Hugo Cabret e Cavalo de Guerra

Correndo por fora: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres

Torcendo por: Drive, A Invenção de Hugo Cabret ou Cavalo de Guerra.


MELHOR MIXAGEM DE SOM

INDICADOS

"Os homens que não amavam as mulheres"
"A invenção de Hugo Cabret"
"O homem que mudou o jogo"
"Transformers: o lado oculto da lua"
"Cavalo de guerra"

Favorito: A Invenção de Hugo Cabret e Cavalo de Guerra

Correndo por fora: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres

Torcendo por: A Invenção de Hugo Cabret, Cavalo de Guerra ou O Homem Que Mudou O Jogo


MELHORES EFEITOS VISUAIS

INDICADOS

"Harry Potter"
"A invenção de Hugo Cabret"
"Gigantes de aço"
"Planeta do macacos"
"Transformers: o lado oculto da lua"

Favorito: A Invenção de Hugo Cabret

Correndo por fora: Harry Potter e Planeta Dos Macacos

Torcendo por: A Invenção de Hugo Cabret ou Harry Potter


MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO

INDICADOS

"Dimanche"
"The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore"
"La Luna"
"A Morning Stroll"
"Wild Life"


MELHOR CURTA-METRAGEM

INDICADOS

"Pentecost"
"Raju"
"The Shore"
"Time Freak"
"Tuba Atlantic" 


MELHOR DOCUMENTÁRIO

INDICADOS

"Hell and Back Again"
"If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front"
"Paradise Lost 3: Purgatory"
"Pina"
"Undefeated"


MELHOR DOCUMENTÁRIO (CURTA-METRAGEM)

INDICADOS

"The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement"
"God Is the Bigger Elvis"
"Incident in New Baghdad"
"Saving Face"
"The Tsunami and the Cherry Blossom"


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

OSCAR 2012 - JUSTIÇAS OU INJUSTIÇAS?

Quase simultaneamente ao anúncio dos indicados ao Oscar, aparecem as listas dos injustiçados, ou seja, aqueles filmes (ou categorias diversas), que na opinião dos fãs e críticos deveriam figurar ali e por motivos às vezes compreensíveis (mas muitas vezes não aceitáveis) e em outras vezes não compreensíveis não figuram. Este ano, a reclamação aumentou pelo fato de apenas nove filmes terem sido indicados na categoria principal (Melhor Filme) ao contrário de dez como nos últimos anos. Assim sendo, resolvi fazer um breve comentário sobre os principais nomes que surgiram como “injustiçados” (na categoria de Melhor Filme em primeiro momento) e se tal rótulo é válido ou não (segundo minha opinião). Falarei apenas de filmes que eu já assisti (lógico), excluindo assim filmes citados com As Aventuras de Tin Tim e Um Método Perigoso, só para exemplificar. Vamos a eles então:


O ESPIÃO QUE SABIA DEMAIS


Ainda pretendo escrever um pouco mais sobre este filme e o impacto que ele me causou. Realmente não entendi como este filmaço fica de fora para dar lugar a filmes no mínimo irregulares como Os Descendentes, por exemplo. O diretor Tomas Alfredson (Deixa Ela Entrar) consegue novamente infiltrar uma sutileza soberba em algo denso e forte. Tudo flui maravilhosamente bem aqui e o resultado, por mais que se baseie em uma história intrincada e complexa é excepcional.  O Espião Que Sabia Demais deveria estar na lista para concorrer a Melhor Filme, pois se levarmos em conta os indicados, o único que faria frente, em qualidade a este filme seria A Árvore Da Vida. Grande Injustiça.


DRIVE

Por mais que também ache injusto um filme chatinho e sem graça como Os Descendentes estar na lista e um filme mais original e forte como este estar fora, por tratarmos aqui de Oscar eu entendo. Drive é um grande filme, mas seu aspecto meio oitentista com um toque psicodélico, aliados ao elemento de violência e de suspense do filme não agradam em nada os membros da academia. Contudo, Drive é um filme melhor que Os Descendentes, Cavalo de Guerra e Histórias Cruzadas por exemplo.


TUDO PELO PODER


Muitos apostavam que o novo filme dirigido por George Clooney estaria presente entre os indicados ao prêmio máximo da Academia. De fato, a ausência de Tudo Pelo Poder, causou mais surpresas do que reclamações, já que se tratava de um filme com muita cara de Oscar, além de tratar de um tema atual, polêmico e ser dirigido por um dos queridinhos da Academia. Surpresa sim, injustiça não; já que com exceção da ótima atuação de Ryan Gosling, o filme não empolga e deixa a desejar no conjunto da obra. No caso de Tudo Pelo Poder, a Academia acertou.


MILLENNIUM - OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES


O filme é bom? Sim. O filme é original? Não. Por mais competente que o novo filme de David Fincher possa ser, para quem assistiu a versão sueca feita há (apenas) três anos atrás, fica a sensação de que Millennium- Os Homens Que Não Amavam As Mulheres é mais um representante da falta de criatividade do cinema americano, algo que se torna ainda mais desapontador por se tratar de um filme de alguém com tanta capacidade como Fincher. É um bom filme, porém desnecessário. Deixando Millennium de fora a Academia acerta mais uma vez, isso em minha singela opinião.


HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE PT II


Se eu fosse formular uma lista com dez indicados a Melhor Filme para a Academia, Relíquias da Morte Pt. II também não entraria; porém, levando-se em consideração a lista real da Academia, o último filme da saga do bruxo Harry Potter poderia ser lembrado sem demérito algum. Acredito que muito mais que um indicação individual, uma possível indicação de Relíquias da Morte Pt. II seria uma forma bem legal de homenagear uma grande franquia, que influenciou e (por que não dizer) alterou o rumo do cinema de fantasia da última década. Pelo meu critério subjetivo não considero uma injustiça, contudo pelo critério objetivo de análise das escolhas da Academia, a não indicação de Harry Potter e as Relíquias da Morte PT. II pode sim ser considerado uma injustiça.


MELANCOLIA


Alguns fãs ainda possuem fôlego para reclamar da ausência de Melancolia na lista, contudo qualquer um que acompanhe a Academia e o Oscar propriamente dito sempre soube que o novo filme do dinamarquês Lars Von Trier não tinha nenhuma chance, ainda mais depois das declarações do mesmo Von Trier em Cannes. O filme não é comercial, possui idéias fortes e controversas e angaria fãs muito mais no meio alternativo do que em qualquer outro. Resumindo: Injusto? Sim, afinal Melancolia é de longe um dos melhores filmes do ano. Surpresa? Não. Algumas partes do mundo não estão preparadas para o talento e a língua afiada de Von Trier.


PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN

Aqui temos uma reclamação particular. Eu entendo o motivo deste filme não figurar na lista, afinal a Academia prefere histórias bonitinhas e de superação, do que uma possibilidade cruel e impressionante de realidade. O filme é duro e trabalha com uma ideia central de baixíssima aceitação e que causa espanto na maioria dos espectadores. A verdade é que este filme é um exemplo raro de cinema e de especulação sobre a natureza humana, e talvez por isso seja tão impactante. Em um meio que peca pela originalidade cada vez mais, Precisamos Falar Sobre o Kevin é um oásis, mesmo que desprezado pelos habitantes do deserto.